Consumidor vai pagar quase R$ 57 a mais com nova tarifa de energia elétrica

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A decisão já assusta consumidores, principalmente diante da crise econômica evidenciada na pandemia da Covid19.
A decisão já assusta consumidores, principalmente diante da crise econômica evidenciada na pandemia da Covid19.
  • Tarifa da bandeira vermelha nível 2 passará de R$ 6,24 para R$ 9,49 por kWh (quilowatt-hora);

  • Como o racionamento ficou nas mãos do consumidor, alguns itens da casa podem ser vilões do consumo e fazer aumentar o gasto com o serviço;

  • Simular o consumo com base nos hábitos diários ajuda a estimar os próximos gastos.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reajustou, nesta terça-feira (29), a tarifa da bandeira vermelha nível 2, que passará de R$ 6,24 para R$ 9,49 por kWh (quilowatt-hora). A tarifa extra será cobrada nas faturas entre julho e dezembro deste ano. A decisão já assusta consumidores, principalmente diante da crise econômica evidenciada na pandemia da Covid19. Segundo cálculos estimativos, o brasileiro pode chegar a pagar até R$ 57/mês a partir de julho, quando já começa a vigorar a nova taxa da bandeira vermelha patamar 2.

A decisão do colegiado contrariou a recomendação da área técnica, que indicou o valor de R$ 11,50 por kWh, que argumenta ser a única forma de garantir equilíbrio entre receitas e o custo de geração da energia, que explodiu devido ao acionamento das termelétricas —muito mais caras. Com a decisão, a diretoria da agência optou por parcelar o reajuste, repassando cerca de R$ 3 bilhões em reajuste para as tarifas no próximo ano.

De acordo com Gilberto Braga, economista e professor do IBMEC, a bandeira tarifária vermelha já havia sido acionada pela ANEEL em junho, com um acréscimo de R$6,24 na tarifa para cada 100 KWH de consumo. Com o reajuste da bandeira tarifária, esse acréscimo na conta de energia passará para R$9,49 a cada 100 KHW.  

Para o Yahoo Finanças, ele exemplificou da seguinte maneira: uma família de classe média, ainda que não numerosa, 'gasta' de quatro a seis bandeiras tarifárias, um acréscimo médio de uma bandeira (R$9,49) por cômodo completo da casa com eletrodomésticos e chuveiro. Ou seja, em junho o consumidor arcou com uma tarifa extra de R$ 6.24 x 6 = R$ 37,44 na conta de energia.

Já com o aumento da bandeira tarifária, que passa para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos, o valor do acréscimo passa para R$56,94 na conta. A variação da bandeira vermelha a partir de julho, portanto, além dos R$37,44 pago desde junho, terá um novo de acréscimo médio de R$19,50.

O sistema de bandeiras reflete a situação do sistema elétrico ainda muito dependente das hidrelétricas, que hoje se ressentem da pior seca dos últimos 91 anos, segundo o diretor-geral da agência, André Pepitone. Na bandeira verde não há adicional para cada quilowatt-hora consumido. Na amarela, esse extra era de R$ 1,34 por kWh (quilowatt-hora). Na bandeira vermelha, há dois patamares —antes definidos em R$ 4,16 (nível 1) e R$ 6,24 (nível 2).

Racionamento ficou nas mãos do consumidor

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fez um pronunciamento nesta segunda-feira (28), pedindo "uso consciente e responsável de água e energia" e descartando a possibilidade de racionamento de energia

"Para aumentar nossa segurança energética, é fundamental que, além dos setores do comércio, de serviços e da indústria, a sociedade brasileira, todo cidadão-consumidor, participe desse esforço, evitando desperdícios no consumo de energia elétrica, com isso, conseguiremos minimizar os impactos no dia-a-dia da população", afirmou o ministro.

Segundo o especialista em varejo Marco Quintarelli, alguns itens da casa podem ser grandes vilões do consumo: ar condicionado, chuveiro elétrico, ferro de passar roupa, secador de cabelo e máquina de lavar são os eletrodomésticos que mais 'puxam' energia. 

Porém, apesar do cuidado, nem todos os usos de luz elétrica são realmente custosos. Desligar a geladeira em parte do dia, tirar carregador de celular da tomada e o plug da TV não representam grande diferença no fim do mês e acabam sendo mitos que assustam quando chegam os boletos no final do mês. Outra alternativa é avaliar que tipo de lâmpadas são usadas em casa: os modelos novos, chamados led, consomem 80% menos do que os antigos. 

Para começar a programar o bolso, os clientes podem calcular os valores novos a partir de seu consumo médio. A Light, empresa responsável pela distribuição de energia no estado do Rio de Janeiro, oferece ferramentas que auxiliam na gestão do uso de energia: o Simulador de Consumo de Energia e o aplicativo gratuito "Detetives da Energia", que foi criado para ajudar as famílias a identificarem seus perfis de consumo a partir de seus hábitos diários.

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