Consumo das famílias recua 0,1% no primeiro trimestre, e investimento sobe 4,6%

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.04.2021 - Movimentação de pessoas pela região da 25 de Março, comércio popular do Largo 13, em São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.04.2021 - Movimentação de pessoas pela região da 25 de Março, comércio popular do Largo 13, em São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Motor da economia brasileira, o consumo das famílias perdeu fôlego e teve variação negativa de 0,1% no primeiro trimestre de 2021, em relação aos três últimos meses de 2020. O dado foi divulgado nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O consumo das famílias é o principal componente do PIB (Produto Interno Bruto) sob a ótica da demanda, respondendo por 62,7% do cálculo do indicador.

A retração de 0,1% veio após avanço de 3,2% no quarto trimestre do ano passado. A perda de fôlego do consumo entre janeiro e março coincidiu com a suspensão do auxílio emergencial, que protegeu a renda de trabalhadores prejudicados pela pandemia em 2020. Os pagamentos do benefício só foram retomados em abril pelo governo federal.

No primeiro trimestre, também houve piora da pandemia no país. A situação provocou restrições a atividades de comércio e serviços, embora as taxas de isolamento tenham ficado menores se comparadas ao início da crise sanitária.

Além das incertezas da pandemia, inflação e desemprego em alta são apontados por especialistas como desafios para a recuperação consistente do consumo.

“O aumento da inflação pesou, principalmente, no consumo de alimentos ao longo desse período. O mercado de trabalho desaquecido também. Houve ainda redução significativa nos pagamentos dos programas do governo às famílias, como o auxílio emergencial”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O IBGE também confirmou nesta terça-feira que os investimentos produtivos na economia brasileira, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo, subiram 4,6% no primeiro trimestre. A FBCF mede aportes destinados para compra de máquinas, equipamentos e materiais de construção.

De acordo com Rebeca, o avanço dos investimentos pode ser explicado por uma combinação de fatores. Houve alta na produção interna de bens de capital, no ramo de construção e na demanda por desenvolvimento de softwares. A FBCF ainda teve impacto do Repetro, o regime aduaneiro especial que facilita a importação de bens destinados ao setor de óleo e gás.

O PIB sob a ótica da demanda contempla ainda exportações, importações e consumo do governo.

As exportações subiram 3,7% no primeiro trimestre. Os embarques vêm sendo beneficiados pelo dólar alto e por sinais de reação na economia mundial.

Já as importações, que ficam mais caras com a moeda americana em patamar elevado, tiveram crescimento de 11,6% entre janeiro e março. O indicador também registrou impacto do Repetro, conforme Rebeca.

“Na pauta de importações, destacaram-se os produtos farmoquímicos para a produção de vacinas contra a Covid-19, máquinas e aparelhos elétricos e produtos de metal. Entre as exportações, foram os produtos alimentícios e veículos automotores”, disse a analista.

Por fim, o consumo do governo teve variação negativa de 0,8% no primeiro trimestre, em relação ao final de 2020.

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