Contágios por covid-19 na Espanha superam três milhões, diz primeiro-ministro

·3 minuto de leitura
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, discursa no Parlamento em Madri, em 22 de outubro de 2020
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, discursa no Parlamento em Madri, em 22 de outubro de 2020

O "número real" de pessoas infectadas pela covid-19 na Espanha desde o início da pandemia passa de três milhões - afirmou o primeiro-ministro Pedro Sánchez nesta sexta-feira (23), em um discurso sobre a situação da saúde do país, um dos mais afetados pela doença.

"A situação é grave e vem de meses muito duros com a chegada do frio", advertiu Sánchez, em uma mensagem destinada a preparar a população para medidas mais restritivas que devem ser objeto de acordo entre as regiões autônomas.

Na Espanha, essas regiões tomam as decisões na área da saúde, junto com o governo central.

O chefe de Governo recordou que, nesta semana, o país superou a marca de um milhão de casos notificados oficialmente.

"Mas realmente o número de pessoas que sofreram a doença em nosso país supera três milhões", declarou Sánchez, antes de explicar que a enorme diferença é provocada pelo fato de que, "na primeira onda, o vírus se propagava fora de controle e foram diagnosticados apenas 10% das infecções".

"Agora se detecta a maioria dos casos, por volta de 70%", afirmou Sánchez, acrescentando que, na primeira semana de outubro, o país atingiu o recorde de mais de 800.000 testes realizados.

Antes do discurso de Sánchez, as autoridades de várias das 17 regiões autônomas do país anunciaram novas restrições e algumas pediram ao Executivo central a adoção de um toque de recolher. A medida já está sendo aplicada em países como França, Bélgica e Itália.

"É necessário que haja uma declaração sobre o estado de alarme que afete todo o país", anunciou Iñigo Urkullu, o influente presidente do País Basco (norte), o primeiro líder regional a solicitar esta medida ao governo central.

Para reforçar esse pedido, juntaram-se à lista dos que concordam os governos regionais de Extremadura, Astúrias, Navarra, La Rioja, Catalunha e Castilla-La Mancha. 

Na opinião de todos esses, caso o pedido seja acatado ele iria amparar legalmente restrições severas à mobilidade, como o próprio toque de recolher.

Em Madri, o governo regional anunciou a proibição, a partir de sábado, de reuniões de pessoas que não moram no mesmo imóvel entre meia-noite e seis da manhã.

Com a decisão, a cidade tenta impor "restrições drásticas de atividade social, especialmente a noturna", afirmou o secretário de Saúde da capital, Enrique Ruiz Escudero.

Bares e restaurantes terão de fechar as portas à meia-noite e não poderão aceitar clientes depois das 23h.

O anúncio aconteceu a poucas horas do fim do estado de alerta, medida excepcional decretada há duas semanas pelo governo central para impor o fechamento do perímetro da capital espanhola e zonas próximas.

A medida sobre Madri foi determinada, apesar da rejeição do Executivo regional, dominado pela direita e que manteve por semanas uma disputa com o governo central de esquerda.

Sem esperar pelo governo, a região de Castilla e León (norte) anunciou um toque de recolher para os habitantes a partir do fim de semana, medida que deve ser seguida por Valência (leste) nos próximos dias.

Sánchez pediu a seus compatriotas que "atuem com determinação, com a máxima disciplina social" para voltar a achatar a curva de infecções como na primeira onda.

"A situação não é comparável a 14 de março, quando nos vimos obrigados a decretar um confinamento domiciliar, um dos mais rígidos do mundo", recordou Sánchez.

O primeiro-ministro disse que espera evitar outro confinamento similar pelos "sacrifícios que comporta e as consequências econômicas e sociais".

Um dos países mais afetados pela pandemia, a Espanha se tornou, na quarta-feira (21), o sexto país do mundo a superar a barreira de um milhão de contágios. Também registra mais de 34.500 mortes.

bur-CHZ/du/pc/fp/tt/bn/mvv