Contas externas brasileiras têm déficit de US$ 2,2 bilhões em novembro, diz Banco Central

Renata Vieira
Notas de real: spread bancário é injusto, diz ministro.

BRASÍLIA - As contas externas brasileiras registram em novembro um déficit em transações correntes de US$ 2,2 bilhões, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira. Isso ocorre quando o volume de dinheiro que sai do país supera o montante que entra. Apesar do rombo, o resultado é melhor do que o registrado em novembro de 2018, quando o saldo ficou negativo em US$ 3,1 bilhões.O déficit em transações correntes é composto pelos números da balança comercial (as exportações e importações entre o Brasil e outros países), pelos serviços que são adquiridos por brasileiros no exterior, e pelas rendas, que abarcam as remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.No mês, a redução no déficit decorreu, fundamentalmente, por conta de menores despesas líquidas de serviços e de renda primária.No acumulado do ano até novembro, o saldo das transações correntes ficou negativo em US$ 45 bilhões, ante US$ 35,4 bilhões no mesmo período do ano passado. Em 12 meses, de novembro de 2018 a novembro de 2019, o déficit somou US$ 51,2 bilhões.Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, o aumento do déficit no ano se deve, fundamentalmente, à redução do superávit da balança comercial, parte importante na composição das contas externas.Nos primeiros onze meses do ano, o superávit comercial foi de US$ 34,6 bilhões, ante US$ 47,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Rocha explica que as exportações brasileiras estão sendo afetadas pelo contexto enfrentado pela Argentina e pela China, importantes parceiros comerciais do Brasil.— Houve redução nas exportações para a Argentina em razão da situação econômica daquele país, e há ainda a crise da peste suína na China, que reduz demanda por exportações de soja. Esses são dois importantes destinos das exportações brasileiras — disse.

Revisão dos dados

O BC precisou revisar os dados das contas externas de setembro, outubro e novembro diante de um erro do ministério da Economia, que contabilizou para baixo o volume de exportações brasileiras nesse período. De setembro a novembro, a subnotificação no que foi exportado para outros países foi de cerca de US$ 6,5 bilhões. Só em novembro, o erro foi de US$ 3,8 bilhões.Com a piora do saldo da balança comercial, o déficit nas transações correntes divulgado pelo BC em novembro, em referência ao mês de outubro, foi de US$ 7,8 bilhões. Na ocasião, o número causou alvoroço no mercado, e contribuiu para a disparada do dólar.Com a correção, o BC atualizou o déficit em transações correntes de outubro para US$ 6,5 bilhões. E o saldo negativo de novembro, que ficou em US$ 2,2 bilhões, é cerca de US$ 3,8 bilhões menor do que a estimativa do BC para o mês, computando praticamente o erro do governo na balança comercial de novembro.

Viagens ao exterior

Em meio à alta do dólar, os gastos dos brasileiros no exterior caíram em novembro. No mês passado, os brasileiros deixaram US$ 1,24 bilhão lá fora, contra um montante US$ 1,38 bilhão em novembro do ano passado.Nos acumulado do ano, esses gastos também diminuíram. De janeiro a novembro, as despesas dos brasileiros em outros países chegaram a US$ 16 bilhões, ante US$ 16,8 bilhões no mesmo período de 2018.Já o volume de dinheiro deixado por estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 432 milhões em novembro, totalizando US$ 5,4 bilhões este ano. Assim, a conta de viagens do país ficou negativa em US$ 816 milhões no mês e em US$ 10,6 bilhões de janeiro a novembro.

Investimento estrangeiro direto

O BC também informou que o Investimento Direto no País (IDP), aqueles aplicados ao setor produtivo, somou US$ 6,9 bilhões em novembro, abaixo do montante registrado no mês mesmo do ano passado, quando US$ 9 bilhões ingressaram aqui.De janeiro a novembro, o IDP ficou em quase US$ 70 bilhões, praticamente estável em relação à mesma época de 2018. Assim, o resultado negativo para as contas externas fica totalmente coberto pelos investimentos diretos.