Conte critica governantes que querem acelerar o desconfinamento na Itália

Foto de 23 de abril de 2020 divulgada pelo Gabinete de Imprensa do Palazzo Chigi em Roma. O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte participa de videoconferência com líderes da UE sobre o impacto econômico da pandemia do novo coronavírus.

O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte criticou veementemente nesta quinta-feira(30)os governadores das regiões que antecipam as medidas de desconfinamento.

"Essas são decisões ilegítimas", disse Conte, que teme um número ainda maior de casos do novo coronavírus.

Em sessão no Parlamento, Conte explicou que as atividades econômicas não podem ser retomadas todas de uma vez, assim como a volta à normalidade não pode ser imediata.

Várias regiões, incluindo algumas governadas pela oposição de ultradireita, pressionam para que as restrições sejam levantadas rapidamente devido à grave crise econômica.

Matteo Salvini, que lidera o movimento, decidiu "ocupar" o Parlamento e dormir em seus aposentos em protesto contra as medidas graduais de relaxamento anunciadas por Conte na chamada Fase 2, com início em 4 de maio.

A Calábria, governada por Jole Santelli, do partido de Silvio Berlusconi, Forza Italia, aliado de Salvini, autorizou nesta quinta-feira a reabertura de bares, restaurantes e acomodações rurais, seguindo o exemplo de Veneto (norte), governada pelo ultradireitista Luca Zaia, da Liga, que também autorizou a abertura de algumas lojas.

"Passar de 'fechamento total' para 'reabertura total' seria um risco que comprometeria irreversivelmente todos os nossos esforços", explicou Conte. Se a taxa de contágio (R0) na Itália, atualmente entre 0,5 e 0,7, subir para 1 novamente, as unidades de terapia intensiva voltariam a lotar, alertou.

- A delicada fase 2 -

Segundo o comitê de especialistas que assessora o governo, a reabertura simultânea de atividades econômicas, escolas e locais de sociabilidade levaria a "um aumento exponencial e descontrolado de infecções".

Conte lembrou que a partir de segunda-feira mais de quatro milhões de pessoas vão retornar ao trabalho, um desafio que exige controles sanitários para detectar novos surtos da epidemia.

"Ainda estamos no meio de uma pandemia, os cidadãos devem saber disso", enfatizou.

A Itália se prepara para a delicada fase 2 com dados relativamente positivos.

"A disseminação do vírus diminuiu, a pressão sobre o sistema de saúde também", disse nesta quinta-feira o pneumologista Luca Richeldi, membro do comitê científico que assessora o governo.

O médico observou que, nas últimas duas semanas, graças a medidas de contenção, "o número de mortes foi reduzido pela metade, enquanto o de curados dobrou".

A Itália registrou outras 4.693 altas nesta quinta-feira e 1.694 pacientes em terapia intensiva (101 a menos que na quarta-feira).

Nas últimas 24 horas, 285 pessoas morreram por COVID-19 de um total de 27.967 mortes desde o início da pandemia.

Segundo o Instituto Superior de Saúde, 30% dos casos na Itália são assintomáticos ou apresentam sintomas leves. Os doentes em estado grave representam 17,2% dos infectados, sendo 1,9%, em estado crítico. Um em cada dez pacientes é profissional de saúde.