Do conto de fadas ao provável 'divórcio': relembre o passo a passo da história de CR7 na volta ao Manchester United

Revelado pelo Sporting, mas projetado ao topo da Europa pelo Manchester United, Cristiano Ronaldo surpreendeu o mundo ao anunciar o retorno ao clube inglês, em agosto do ano passado. A notícia levou torcedores e até jogadores do elenco ao delírio, e tinha ares de conto de fadas: o velho ídolo voltaria para os grandes anos finais de sua carreira em casa.

Mas, neste domingo, a história parece ter se encaminhado definitivamente a um final amargo: o gajo disparou uma série de críticas ao clube e ao treinador, Erik ten Hag.

A entrevista é a ponta do iceberg de uma relação cada dia mais conflituosa, que já rendeu outras entrevistas e até afastamento do jogador após desentendimento à beira do campo.

Relembre, episódio a episódio, como o a história de Ronaldo e United azedou de vez:

Apesar da volta recheada de homenagens e muita festa da torcida, a temporada foi complicada para o United e Ronaldo. Três meses depois de sua chegada, o clube demitiu o treinador, o ídolo Ole Gunnar Solskjaer.

O norueguês foi substituído pelo alemão Ralf Rangnick, diretor de futebol que aceitou voltar a ser treinador para ocupar uma posição interina. Naquela temporada, os Diabos Vermelhos amargaram uma irregularidade e problemas internos, que acabaram numa campanha de sexta colocação, fora da zona de classificação à Champions League.

Cristiano Ronaldo terminou como artilheiro da equipe, com 18 gols marcados — foi terceiro colocado na artilharia geral da Premier League. Mas sua permanência foi colocada em dúvida, dada a ambição do jogador em disputar a competição continental.

Na metade daquela temporada, CR7 conversou com a emissora britânica "Sky Sports", na primeira entrevista exclusiva desde o retorno. Na conversa com jornalistas, pediu tempo para que Rangnick implementasse suas ideias, reclamou de problemas internos (sem explicá-los) e opinou que o United deveria sempre ambicionar pelas três primeiras posições.


— Podemos mudar as coisas agora. Eu sei como, mas não falarei aqui porque não me parece ético. O que posso dizer é que podemos fazer melhor [...]. Não vim para ficar em quinto, sexto ou sétimo lugar. Vim para competir, para ganhar.

A aposta pessoal em Rangnick parece não ter dado certo. O interino acabou criticado por Cristiano na entrevista divulgada neste domingo, na qual diz que não o conhecia.

Em abril, Cristiano Ronaldo perdeu um dos gêmeos do casal que esperava com a namorada, Georgina Rodríguez. O bebê, um menino, teve complicações no parto.

O jogador acabou liberado pelo clube e retornou na reta final da temporada. Na conversa com Piers Morgan, o gajo criticou a falta de empatia da diretoria do clube no episódio.

Em julho, começaram a surgir os rumores de que CR7 poderia deixar Old Trafford. Entre os possíveis motivos estariam a insatisfação com a ausência na disputa da Champions League. Para a nova temporada, os Diabos Vermelhos apostaram em Erik ten Hag, holandês que fez carreira de sucesso no Ajax, em busca de uma remontada geral no clube.

O jogador também não se apresentou para a pré-temporada, uma excursão da equipe pela Ásia, por motivos familiares. Dias depois, foi oficialmente liberado. Na entrevista de domingo, ele diz que precisou acompanhar a filha recém-nascida, que ficou internada.

Já com o grupo, Ronaldo se envolveu em polêmica ao deixar o Old Trafford antes do apito final de um amistoso de pré-temporada contra o Rayo Vallecano, assim como outros jogadores, como o lateral Diogo Dalot. Na época, Ten Hag minimizou a situação.

No início da nova temporada, a relação começou a azedar de vez. Cristiano foi reserva em cinco dos seis primeiros jogos do clube na Premier League, uma situação que praticamente não havia vivido na carreira após explodir para o futebol.

Antes da entrevista desse domingo, o ápice dos problemas de relação com o técnico aconteceu em outubro, na vitória por 2 a 0 sobre o Tottenham, um dos melhores jogos da equipe no campeonato. Cristiano foi chamado por ten Hag no fim do segundo tempo e se recusou a entrar em campo, deixando o estádio antes do apito final novamente. Acabou suspenso da partida seguinte, contra o Chelsea, e afastado do elenco.

— Depois do que aconteceu contra o Rayo Vallecano, disse a ele que era inaceitável, mas ele não foi o único (a ir embora antes do apito final). Mas isso vale para todos, então, numa segunda vez que acontecesse, haveria consequências. Foi o que o fizemos — afirmou o técnico holandês.

Após o afastamento, Cristiano se manifestou em suas redes sociais, reconheceu a postura errada e falou em "calor do momento". Acabou reintegrado e passou a ser titular frequente, mas a relação com Ten Hag seguiria abalada.

Tudo isso culminou no desabafo deste fim de semana, que tem tudo para colocar um ponto final na passagem pelos Diabos Vermelhos.