Contos de tradição oral inspiram peça, rodas de histórias e oficinas on-line gratuitas

Priscilla Aguiar Litwak
·2 minuto de leitura

NITERÓI — A atriz e contadora de histórias niteroiense Daniella D’Andrea faz o Solar do Jambeiro de palco para a peça “A arte de governar a si mesmo — Caravana pelo interior”, vencedora do edital de Teatro Adulto para Espaços Alternativos, da Fundação de Arte de Niterói; e do prêmio Cultura Presente Nas Redes, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio. O espetáculo, que estreia amanhã, é parte do projeto homônimo criado pela artista, o qual inclui encontros, rodas de histórias e oficinas formativas. O texto se baseia em contos filosóficos ancestrais para refletir sobre a responsabilidade pessoal na construção da harmonia social de um povo.

Encenado e filmado no Jambeiro, o solo narrativo foi adaptado para a linguagem cinematográfica para o projeto, que segue até o dia 21, com transmissão gratuita pelo canal no YouTube de Daniella, que idealizou, atua e vai mediar todas as atividades.

—Acho o Solar um dos espaços de cultura mais bonitos de Niterói. E a equipe é extremamente acolhedora. Por toda a sua história e beleza, ele combina muito com o desenho do nosso trabalho. É um lugar que transporta a gente para uma pausa no tempo de uma maneira muito íntima — diz Daniella.

O projeto terá oficinas formativas para educadores e narradores, com Daniella e Warley Goulart, até a próxima terça (dia 13), na plataforma Zoom. As oficinas vão abordar o estudo e a narração dos contos da tradição oral para profissionais que usam histórias como meio de transmissão de conhecimento.

O espetáculo que inspirou o projeto terá sessões sexta, sábado e domingo que vem e nos dias 16 e 17, às 20h, no YouTube. Antes de cada uma, haverá um papo com artistas de diferentes localidades do estado do Rio, ligados às histórias ou à cultura popular.

“A arte de governar a si mesmo — Caravana pelo interior” é dirigido por Warley Goulart, com atuação de Daniella, e reúne contos filosóficos de tradição oral árabe e afegã. A atriz conta que o espetáculo foi criado em 2019 a partir de seu interesse por histórias sobre a formação de reis e rainhas, despertado pelo cenário político do país.

— As histórias da tradição oral de vários povos, desde que o mundo é mundo, falam muito sobre o que é ser um bom rei ou uma boa rainha, sobre o processo de aprendizado e de formação para governar um país. Em muitas culturas, principalmente nas fundamentadas pela oralidade, o contador de histórias tem importância nessa formação. Provavelmente porque suas histórias transmitem saberes essenciais que precisam ser recordados de tempos em tempos — diz.

Duas lives, com rodas de contadores de histórias, encerram “A arte de governar a si mesmo”, nos dias 18 e 21. O projeto tem o apoio da Lei Aldir Blanc e contará com intérprete de Libras.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)