Contra coronavírus, asilos reforçam prevenção em idosos em São Paulo

Elisa Martins
Desembarque de passageiros no aeroporto internacional de Guarulhos: população idosa é mais suscetível em caso de infecção respiratória.

SÃO PAULO - Diante da epidemia do novo coronavírus, asilos e residenciais de São Paulo têm investido em medidas adicionais de prevenção para os idosos, considerado grupo mais vulnerável em caso de infecção pela doença Covid-19. Reforço do uso de álcool gel e máscaras, capacitação de funcionários e orientações às famílias estão entre as ações que entraram na rotina.

Também de olho na prevenção à epidemia, a Prefeitura de São Paulo vai capacitar funcionários que atuam no centros de acolhida aos idosos na capital paulista. A ideia é treinar os profissionais em manejo clínico, esclarecimento de dúvidas, recomendações técnicas, biossegurança e sobre a situação epidemiológica da doença. Segundo registro da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a cidade conta com 325 instituições particulares e públicas para idosos.

No residencial Solar Ville, na região de Alphaville, a distribuição de álcool gel foi reforçada nas dependências da instituição, onde residem 52 idosos com mais de 70 anos. Segundo a administração, os funcionários foram orientados também a redobrar os cuidados com máscaras e higienização das mãos. E os familiares também foram informados sobre a importância da prevenção, considerando o risco para esse grupo.

Os cuidados também foram intensificados no Residencial Club Leger, no Jaraguá. Segundo o gerente Vinícius Neves, algumas medidas de rotina foram destacadas por conta do novo vírus:- Reforçamos o estoque de Equipamentos de Prevenção Individual dos nossos funcionários, como máscaras e luvas. Também distribuímos álcool em gel pelas áreas comuns do residencial. E instruímos as visitas na correta higienização das mãos, além de orientamos sobre as medidas preventivas.

No Residencial Santa Cruz, no Campo Grande, zona Centro-Sul de São Paulo, as orientações de prevenção também foram repassadas a familiares e colaboradores. - Além dos cuidados que sempre temos, que vão da lavagem de mãos ao uso de álcool gel, reforçamos a importância dos cuidados, e do uso de álcool gel e máscaras. E organizamos palestras sobre esse cuidado mais intensificado - conta Francsica Amaral. coordenadora de relacionamento com o cliente.

Pesquisas feitas com infectados ao redor do mundo mostra que a letalidade do novo coronavírus chama a atenção em pacientes na terceira idade, a exemplo do que ocorre em quadros de infecção por outros vírus respiratórios. Estudos desenvolvidos na China, epicentro da epidemia, indicam que a taxa de óbito do novo coronavírus é de 3,6% em casos de infectados entre 60 e 69 anos, mas sobe para 8% em pacientes entre 70 e 79 anos. Nos casos acima de 80 anos, chega a 14% de letalidade.

Por que idosos têm mais risco

Historicamente, infecções por vírus respiratórios tendem a ter maior risco de complicações em pessoas idosas. Isso é visto no caso do coronavírus, que tem tendido a "poupar" crianças, normalmente afetadas por infecções respiratórias, e parece afetar principalmente os mais velhos.

- Os idosos passam pelo processo de envelhecimento do sistema imunológico, então a capacidade natural de responder a infecções é prejudicada a partir de certa idade - explica a médica infectologista Carolina Lázari, do Fleury Medicina e Saúde, em São Paulo.

Além disso, conta a especialista, a existência de outras doenças associadas nessa faixa etária adiciona fatores de risco a uma eventual infecção:

- Entre idosos há maior incidência de outras doenças e comorbidades que são complicadores dessas infecções, principalmente do ponto de vista pulmonar. É o caso de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, que são mais frequentes entre a população idosa.

A infectologista lembra que há poucas crianças infectadas com coronavírus, que parece realmente ter incidência mais alta em idosos. Uma das explicações pesquisadas por especialistas é que as crianças tenham tido algum contato recente com outros subtipos de coronavírus, que sabidamente já circulam no mundo, e que tenham desenvolvido algum tipo de imunidade cruzada por conta disso.

- Mas são especulações, ainda não há nenhuma evidência científica que comprove isso. O que temos são dados epidemilógicos que mostram incidências bem baixas em crianças, e que a letalidade é mais alta na população acima de 70 anos - diz Carolina.

A especialista reforça que idosos merecem um olhar especial, principalmente em tempos de coronavírus.

- É necessário reproduzir todas as medidas de prevenção recomendadas à população em geral, como higienizar as mãos, usar álcool gel, não se expor a pessoas com sintomas respiratórios e evitar aglomerações. Inclusive no caso de idosos com restrições de mobilidade e autonomia, em instituições ou em casa, cuidadores e funcionários precisam lembrar e adotar essas medidas - afirma. - Toda instituição tem propensão a ter uma propagação mais rápida de surto, por ser lugar fechado, onde um cuidador cuida de mais pessoas, muitas vezes com várias pessoas em ambientes pouco ventilados. São locais que podem favorecer uma transição rápida de agente de transmissão respiratório se as medidas adequadas não forem tomadas.

A vulnerabilidade, lembra a infectologista, aumenta com a idade, assim como as comorbidades. Daí a importância, também, de cuidar das doenças associadas de olho também na prevenção do novo coronavírus.

- Uma pessoa cardíaca, por exemplo, que toma os remédios em dia e com tudo controlado, na medida do possível, tem chance menor de complicações em caso de uma nova infecção do que uma pessoa com tratamento descompensado da doença de base - afirma Carolina.