Contra plano de Doria, senadores do PSDB apoiam mais um mandato de Bruno Araújo no comando do partido

Gustavo Schmitt
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SÃO PAULO — Os sete senadores da República filiados ao PSDB assinaram, nesta quinta-feira (11) uma nota a favor da prorrogação do mandato do presidente do partido, Bruno Araújo, por pelo menos mais um ano. O movimento acontece um dia após presidentes de todos os diretórios estaduais da legenda também concordarem com a prorrogação, o que frusta planos do governador de São Paulo, João Doria, de assumir o controle da sigla em maio.

Na nota, os senadores afirmam que reiteram a "confiança na Executiva Nacional e apoia a prorrogação dos respectivos mandatos". Segundo os senadores, "com a decisão, o partido seguirá mantendo a democracia interna e a convergência na busca de soluções para que o País possa vencer a pandemia e retomar o crescimento com justiça social".

Em um jantar com a cúpula do PSDB na segunda-feira, Doria manifestou a vontade de assumir o controle do partido em maio, quando termina o mandato de Araújo. Tendo em vista o projeto de ser candidato à Presidência da República, Doria sugeriu, ainda, que a sigla assumisse uma postura mais clara de oposição ao presidente Jair Bolsonaro e afastasse o deputado mineiro Aécio Neves.

A atitude de Doria causou surpresa entre os participantes do jantar. Nem Araújo, nem o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, haviam sido comunicados previamente de suas intenções. Dois dias depois, todos os presidentes de diretórios estaduais endossaram a manutenção de Araújo no poder, sem a realização de eleições. O motivo principal, segundo os tucanos, é evitar aglomerações em meio à pandemia de covid-19.

A manifestação foi assinada até por Marco Vinholi, secretário do governo Doria e presidente do diretório estadual de São Paulo. Nesta quinta-feira, foi a vez de senadores manifestarem apoio a Araújo, inclusive os paulistas José Serra e Mara Gabrilli.

Além disso, parte da bancada de deputados do PSDB, que já havia se manifestado contra o afastamento de Aécio, passou a incentivar a entrada do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de forma mais incisiva na disputa pelas eleições de 2022.