Contra redução de tarifa de importação, indústria do aço aumentará produção em 14% este ano

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — Em resposta às pressões do setor da construção civil, para que o governo reduza as tarifas de importação de produtos siderúrgicos, o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, assegurou, nesta quinta-feira, que não há risco de desabastecimento no país de produtos usados pelas construtoras, como vergalhões. Ele afirmou que a produção terá um aumento de 14% em 2021, chegando a 35,8 milhões de toneladas, e os preços já começam a dar sinais de estabilização, após passarem pelo que chamou de "boom" das cotações das commodities internacionais.Lopes negou que tenha feito qualquer tipo de acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para segurar os preços até o fim deste ano.O executivo, que acumula a função de líder da coalizão empresarial que conversa com Guedes e a equipe econômica periodicamente, disse que a abertura do mercado brasileiro para os importados não se justifica. — Não existe possibilidade de avançamos em relação a um acordo [de preços]. O pedido de um determinado segmento, que começa com uma narrativa de que estamos retardando [a produção] para enxugar a oferta e aumentar preço não corresponde à realidade. Para que precisa de redução de imposto de importação? A não ser para o único objetivo: melhorar a margem de quem está no negócio de importar aço — disse Lopes.

Durante uma entrevista ao jornal "Valor Econômico" na semana passada, Paulo Guedes disse ter feito um acordo informal com os fabricantes de aço, para que não houvesse reajustes este ano. A ideia era atender a pedidos do setor de construção civil que, segundo o ministro, está "bombando".

Dados do setor mostram que, no primeiro semestre de 2021, a produção brasileira de aço bruto aumentou 24% em relação ao mesmo período de 2020. As vendas internas cresceram 43,9% e o consumo aparente (produção mais importações, menos exportações) subiu 48,9% na mesma base de comparação. As importações tiveram um acréscimo de 140% e as vendas externas de siderúrgicos caíram 13,7%.

Os números positivos do primeiro semestre e a perspectiva de que a demanda permanecerá aquecida ao longo do segundo semestre levaram o Instituto Aço Brasil a rever suas projeções para 2021. Além do aumento de 14% da produção, a expectativa é de uma alta de 18,5% das vendas no mercado interno e o consumo aparente cresça 24,1%.

— O cenário atual é bem diferente daquele de abril do ano passado, quando havia muitas incertezas de quais seriam os impactos sobre a economia devido à pandemia de Covid-19 — afirmou Lopes.

Segundo ele, o setor siderúrgico chegou a operar com 45,4% de sua capacidade instalada. Houve queda acentuada da demanda de todos os segmentos consumidores de aço. Hoje, com a forte retomada dos pedidos de compra, o nível de utilização da capacidade instalada do setor é de 73,5%.

— As empresas do setor do aço rapidamente se organizaram para atender ao aquecimento do mercado que, atualmente, encontra-se plenamente abastecido sem qualquer excepcionalidade.

EUA:Com Joe Biden, indústria brasileira vê chances de novos acordosLopes afirmou que a demanda atual pode ser explicada não só pela retomada dos setores consumidores, mas também pela recomposição de estoques e até mesmo pela formação de estoques defensivos de alguns segmentos que procuraram se proteger do cenário de volatilidade do mercado. Ele enfatizou que preocupa, entretanto, o enorme excedente de oferta de aço no mundo, devido ao excesso de capacidade produtiva da ordem de 560 milhões de toneladas.

—Isso gera práticas desleais de comércio, escalada protecionista e desvios das exportações para mercados sem proteção como é o caso do Brasil —disse.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos