Contra variantes do coronavírus, órgão de saúde da UE pede novas restrições

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Confinamentos, toques de recolher e outras medidas de redução de contágio precisam ser mantidos ou intensificados na Europa para evitar "um aumento significativo" nos casos e mortes relacionados à Covid-19 nos próximos meses, afirmou nesta segunda (15) o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Escolas, porém, só devem ser fechadas em último caso, recomendou o órgão da União Europeia. "Os países não devem cometer o mesmo erro do ano passado, quando tiveram o coronavírus sob controle e deixaram que ele escapasse", disse também nesta segunda, em outra entrevista, o diretor-executivo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan. No caso europeu, a situação epidemiológica permanece "muito preocupante, com taxas de internações em hospitais e UTI em níveis muito elevados", de acordo com o ECDC. O órgão também considera alta a probabilidade de que variantes mais contagiosas, como a B.117 —a mais difundida no continente, descoberta primeiro no Reino Unido—, a B.1.351 (África do Sul) e a P.1 (Brasil), aumentem sua presença no continente. Em documento que atualiza a avaliação de risco da pandemia de Covid-19 , o ECDC afirma que ainda não se sabe o quanto as variantes podem aumentar a gravidade da doença e reduzir a eficácia da vacina, e pediu aos países que aumentem sua capacidade de sequenciamento para identificá-las. O risco foi considerado de alto a muito alto para a população em geral, e muito alto para os indivíduos vulneráveis, que deveriam ter sua vacinação acelerada, segundo o ECDC. A agência também defendeu a emissão de certificados de vacinação para uso médico, mas afirmou que eles não devem ser usados como "passaporte": "Não há provas suficientes sobre a eficácia da vacinação na redução da transmissão". A chama fadiga pandêmica —desmotivação para seguir as medidas de proteção recomendadas— parece estar crescendo na Europa, afirmou o ECDC, "e isso precisa ser abordado com urgência para evitar novas ondas de infecção". O órgão europeu repetiu, porém, a orientação de que as escolas só sejam fechadas em último caso, e, quando necessária, a suspensão das aulas seja feita das turmas mais velhas para as mais novas. "Antes de fechar as escolas, os países devem revisar cuidadosamente as outras intervenções não farmacêuticas em vigor, ao mesmo tempo que fortalecem as medidas nas escolas para reduzir o risco de transmissão da Sars-Cov-2."