Contraofensiva de Kiev obriga Moscou a suspender referendo de anexação em zona ocupada da Ucrânia

A Rússia teve que suspender, nesta segunda-feira (5), os preparativos para um referendo no sul da Ucrânia sobre a anexação da região de Kherson devido a uma contraofensiva das forças ucranianas, que reivindicaram vitórias e que estão afetando a logística do exército russo.

Por outro lado, o último reator em operação na usina nuclear de Zaporizhzhia, onde estão especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), teve que ser desativado por bombardeios.

"O reator número 6 foi parado e desconectado da rede", disse a operadora ucraniana Energoatom no Telegram, culpando um incêndio "que ocorreu como resultado de um bombardeio" e que danificou uma linha de energia.

Os especialistas da AIEA, que chegaram à usina na semana passada, ainda estão no local tentando garantir a segurança das instalações.

Mais ao sul, na região de Kherson, o exército ucraniano continua sua ofensiva e Mikhailo Podoliak, conselheiro do presidente ucraniano, voltou a pedir à população, "mesmo na península da Crimeia", que garanta acesso a um abrigo subterrâneo e reservas de alimentos.

Como sinal do avanço do exército ucraniano, a administração russa ocupante da região de Kherson decidiu suspender o referendo de anexação que havia planejado.

"Estávamos preparados para a votação e queríamos organizar o referendo muito em breve, mas, devido aos eventos atuais, acho que vamos fazer uma pausa por enquanto", disse Kirill Stremousov, chefe da administração de ocupação à televisão pública russa.

Há semanas, as autoridades de ocupação nas regiões ucranianas de Kherson e Zaporizhzhia anunciaram a organização de referendos para unir essas regiões à Rússia no final deste ano, como aconteceu em 2014, quando a Crimeia foi anexada.

No entanto, Kherson e sua região são alvos de uma contraofensiva da Ucrânia, que afirma ter recapturado território, infligido perdas aos russos e interrompido linhas de abastecimento russas ao desativar as principais pontes na área.

- Cortar as pontes -

No domingo, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou a reconquista de "duas cidades no sul" e uma terceira no leste, sem especificar quais.

Por sua vez, a inteligência militar ucraniana (GUR) garantiu em comunicado nesta segunda que destruiu um depósito na região de Zaporizhzhia onde estavam armazenadas as cédulas do referendo organizado por Moscou.

"Todas as pontes" sobre o rio Dnieper na região de Kherson "estão fora de serviço", declarou a porta-voz do exército ucraniano no sul, Natalia Gumenyuk, assegurando que "três pontes flutuantes" construídas pelo exército russo também foram destruídas.

Por sua vez, o Ministério da Defesa russo alegou que estava infligindo pesadas perdas aos ucranianos, "que estão tentando se enraizar em certas áreas" do sul ocupado da Ucrânia.

As forças russas atacaram a Ucrânia em 24 de fevereiro pelo leste, norte e sul de seu território. Depois de não conseguir tomar Kiev,  retiraram-se d o norte da Ucrânia, concentrando-se no leste e no sul.

O exército ucraniano, que recebe armamento ocidental, conseguiu deter o avanço russo e há uma semana lançou sua contraofensiva no sul.

- Cidades atacadas -

A Rússia, porém, continua a atacar cidades ucranianas com artilharia e mísseis.

Em Mykolaiv, "poderosas explosões foram ouvidas na cidade", segundo o prefeito Oleksandr Senkevich.

Bombardeios também atingiram Nikopol, mas as autoridades regionais disseram que não houve vítimas.

Em Kharkiv, uma cidade do nordeste perto da fronteira com a Rússia, "três pessoas ficaram feridas por bombardeios" durante a noite, disse o chefe da administração regional, Oleg Synegubov.

Na mesma região, dois civis foram mortos em um bombardeio russo esta manhã em Zolochiv.

Na região de Dnipropetrovsk (centro-leste), uma mulher foi morta e três pessoas ficaram feridas em um bombardeio russo, disse o governador regional Valentin Reznichenko.

Na frente econômica, o Kremlin declarou hoje que a interrupção do fornecimento de gás para a Alemanha através do gasoduto Nord Stream era culpa do Ocidente, pois suas sanções impediam a manutenção da infraestrutura.

"Não há outra razão para esses problemas", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

As declarações vêm poucos dias após o fechamento completo do Nord Stream, um gasoduto crucial para o abastecimento de países europeus, que temem uma crise energética neste inverno.

bur-ant-lpt/pc/mb/mr