Contrariando Bolsonaro, presidente do BC diz que não é verdade que bancos perderam dinheiro com o Pix

***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  01-10-2020 - O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, posa para fotos na sala do COPOM na sede do BC. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASÍLIA, DF, BRASIL, 01-10-2020 - O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, posa para fotos na sala do COPOM na sede do BC. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto afirmou nesta quinta-feira (11) que os bancos não têm perdido dinheiro por conta do crescimento da adesão do Pix no mercado brasileiro.

"Não é verdade que os bancos perdem dinheiro com o Pix", afirmou Campos Neto, durante participação no evento Febraban Tech, em São Paulo, organizado pela entidade que representa as instituições financeiras.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a adesão dos bancos aos manifestos em defesa da democracia, com o argumento de que a criação do Pix e uma eventual perda de receita por conta da ferramenta digital teria motivado as instituições financeiras a aderir ao movimento.

"Você pode ver, esse negócio de carta aos brasileiros, à democracia, os banqueiros estão patrocinando. É o Pix que eu dei paulada neles, os bancos digitais que nós facilitamos", disse o presidente a apoiadores no final de julho.

Segundo Campos Neto, a perda de receita com transferências sofrida pelos bancos com o Pix é compensada pela abertura de novas contas e pelo próprio aumento das transações dentro do sistema financeiro.

Além disso, a retirada de dinheiro físico de circulação com a evolução do Pix no mercado também contribui para que os bancos consigam reduzir suas despesas, acrescentou o presidente do BC.

"Nossa visão não é sobre quem está perdendo e quem está ganhando. O objetivo é que [os bancos] tenham um pedaço menor de uma torta muito maior. Isso já estamos vendo no sistema financeiro. A gente quer bancarizar, queremos competição com inclusão", disse Campos Neto, acrescentando que o BC deve publicar nos próximos meses um estudo que vai mostrar o impacto do desenvolvimento do Pix no mercado para as receitas dos bancos.

Ele afirmou também que a economia está caminhando para um processo de tokenização (em referência aos tokens, criptoativos com lastro em ativos reais) em escala global, e que está nos planos da autoridade monetária iniciar mais à frente uma integração das novas frentes de tecnologia lançadas nos últimos anos, como o Pix e o Open Finance.

"Estamos entrando em uma fase de tecnologia muito interessante, em que se começa a juntar os pedaços que estavam muito soltos."

Esse processo, afirmou, irá culminar no lançamento de uma moeda digital estruturada pelo próprio BC, que deve começar a circular no mercado em meados de 2023, de acordo com o cronograma da autarquia.

"As pessoas estão procurando por representações digitais de algo que tenha valor", disse Campos Neto. "Estamos caminhando de forma rápida para um mundo tokenizado."