Contrariando Trump, secretário de Defesa dos EUA se opõe ao uso de militares para reprimir protestos

Acompanhado do procurador-geral William Barr (esquerda), do secretário de de Defesa Mark Esper (centro) e do chefe das Forças Armadas, Mike Milley (direita), Trump caminha até Igreja de São João, onde fez uma visita encenada

WASHINGTON — Contrariando o presidente Donald Trump, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, disse nesta quarta-feira que se opõe à mobilização de militares para conter os protestos contra o racismo sistêmico e a violência policial nos EUA, que já ocorrem há nove dias. Trump, por sua vez, negou que tenha ordenado que Guarda Nacional dispersasse à força uma manifestação pacífica para que pudesse fazer sua visita encenada à Igreja de São João, nos arredores da Casa Branca, na segunda-feira.

— A opção por usar forças militares ativas para aplicar a lei deve ser usada apenas como uma última alternativa, e apenas nas piores e mais urgentes situações. Nós não estamos agora neste cenário. Eu não apoio o uso da Lei da Insurreição — disse Esper, em um briefing no Pentágono. —  Sempre acreditei e continuo acreditando que a Guarda Nacional é mais adequada para prestar apoio interno às autoridades civis nestas situações.

O secretário de Defesa refere-se à Lei da Insurreição de 1807, que permite ao presidente usar forças militares no território nacional para fazer cumprir a lei, ante tumultos e rebeliões. A medida foi acionada pela última vez em 1992, durante os protestos que se seguiram a absolvição dos quatro policiais que espancaram Rodney King, um homem negro, em Los Angeles. Desta vez, as manifestações foram motivadas por outro ato de violência policial que expõe o racismo nos EUA: o assassinato de George Floyd, asfixiado até a morte por um policial branco em Minneapolis, no estado do Minnesota, no dia 25 de maio.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, do Partido Democrata, também se mostrou contrário à mobilização do Exército, afirmando que os militares não podem ser usados como "arma política". George Floyd se torna símbolo de luta antirrascista pelo mundo

A possibilidade do uso da legislação veio à tona na segunda-feira, quando Trump anunciou que usaria as Forças Armadas para conter as manifestações na capital e ameaçou enviar militares aos estados caso os governadores não conseguissem controlar o que chamou de "criminosos", "anarquistas" e "terroristas internos".