Controladoria do Panamá aponta superfaturamento em 5 obras da Odebrecht

Cidade do Panamá, 26 abr (EFE).- A Controladoria Geral do Panamá informou nesta quarta-feira que cinco projetos executados pela Odebrecht e concedidos em 2011, durante o governo do ex-presidente Ricardo Martinelli, tiveram superfaturamento de US$ 318 milhões,

As obras, segundo a Controladoria, "nasceram com sobrepreços desde sua origem no Ministério de Obras Públicas (MOP)" e deveriam ter custado US$ 1,413 bilhão, em vez dos US$ 1,73 bilhão que foram pagos por elas.

"Os preços de referências que foram estabelecidos pelo MOP estavam acima da realidade dos preços estimados pela indústria para o mercado da construção de infra-estruturas para o setor público", disse o órgão fiscalizador em comunicado.

Entre os projetos questionados, está o terceiro trecho da orla marítima da capital do país, Cidade do Panamá, a restauração de vários edifícios históricos e a ampliação de três rodovias.

O projeto intitulado Preservação do Patrimônio Histórico da Cidade de Panamá teve superfaturamento de US$ 51,5 milhões, e a obra de Melhoramento e Duplicação da Avenida Domingo Díaz custou US$ 47,4 milhões que o orçado inicialmente.

Os trechos I e II do Corredor Via Brasil custaram US$ 70,6 milhões e US$ 41,8 milhões a mais do que deveriam, respectivamente, segundo as auditorias reveladas nesta quarta-feira.

O projeto conhecido como Faixa Costeira 3, um dos mais emblemáticos da cidade, mas também mais questionados pela opinião pública, custou US$ 782 milhões, mas de acordo com o relatório, o preço que deveria ter sido pago por ele era de US$ 675 milhões (US$ 107,1 milhões de diferença).

Os cinco projetos foram licitados no mesmo dia, 11 de fevereiro de 2011, e concedidos em 29 de março de 2011, uma prática pouco habitual no Panamá.

A Controladoria, que revisa outros projetos da construtora brasileira, entregou hoje ao Ministério Público os resultados destas cinco primeiras auditorias, que começaram a ser feitas em 14 de fevereiro.

A Odebrecht é a principal empreiteira com atuação no país centro-americano e, desde que chegou ao Panamá, em 2007, executou projetos de infra-estrutura que ultrapassaram US$ 9 bilhões em custos, entre eles suas linhas de metrô.

No Panamá, o Ministério Público realiza seis investigações em torno da empreiteira, com pelo menos 17 acusados, entre eles dois filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli - Ricardo Alberto e Luis Enrique Martinelli Linares, contra os quais há uma ordem de prisão internacional.

O Ministério Público acusa os irmãos de terem recebido pelo menos US$ 22 milhões da construtora e ordenou a apreensão de vários de seus bens, entre eles duas contas bancárias na Suíça, uma conta e um apartarnento de luxo na Espanha e um helicóptero no México. EFE