Controle da Câmara dos Deputados dos EUA depende de disputas acirradas após democratas manterem controle no Senado

Vista do prédio do Congresso dos Estados Unidos em Washington

WASHINGTON (Reuters) - O controle da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos dependia nesta segunda-feira de várias disputas apertadas que podem garantir uma maioria para o Partido Republicano após as eleições de meio de mandato que viram o Partido Democrata, do presidente Joe Biden, superar as expectativas e manter o controle do Senado.

Os republicanos estavam mais perto de assumir a Câmara, tendo conquistado 211 assentos em comparação com os 206 dos democratas, com 218 necessários para a maioria. Mas o resultado final pode não ser conhecido por dias, já que as autoridades continuam contando os votos quase uma semana depois que os norte-americanos foram às urnas.

Depois de conquistar o Senado no fim de semana e dissipar as esperanças republicanas de uma "onda vermelha" de vitórias, os democratas retrataram seu desempenho como uma defesa de sua agenda e uma repreensão aos esforços republicanos para minar a validade dos resultados eleitorais.

Ainda há cerca de 18 disputas pendentes para a Câmara, incluindo 13 consideradas extremamente competitivas, de acordo com uma compilação da Reuters dos principais analistas apartidários. Dez das disputas restantes estão na Califórnia, um Estado com tendência democrata.

Uma vitória republicana na Câmara preparará o terreno para dois anos de governo dividido, ao mesmo tempo em que dará aos oponentes de Biden o poder de limitar sua agenda política e lançar investigações potencialmente prejudiciais sobre seu governo e sua família.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse no domingo que não fará nenhum anúncio sobre se planeja permanecer na liderança do partido até que o controle da Casa seja decidido.

Houve especulações de que Pelosi renunciaria se os democratas perdessem a maioria, especialmente depois que seu marido foi atacado por um intruso em sua casa em San Francisco no mês passado.

Os democratas, que garantiram o controle do Senado com uma vitória da senadora de Nevada, Catherine Cortez Masto, no sábado, estão mudando o foco para um segundo turno na Geórgia, que pode aumentar sua força no Congresso.

Uma vitória democrata no segundo turno de 6 de dezembro entre o senador Raphael Warnock e o desafiante republicano, Herschel Walker, daria ao partido o controle majoritário absoluto, reforçando sua influência sobre comitês, projetos de lei e escolhas judiciais.

Mesmo que os republicanos ganhem uma maioria estreita na Câmara, o desempenho dos democratas sugere que eles tiveram sucesso em retratar seus oponentes como extremistas, apontando em parte para a decisão da Suprema Corte de eliminar o direito nacional ao aborto após indicações conservadoras para o tribunal.

Mas os resultados também levaram a um maior escrutínio sobre o ex-presidente Donald Trump, que usou sua popularidade entre os conservadores de extrema direita para influenciar os candidatos republicanos indicados para eleições parlamentares, governamentais e locais.