'Conversa entre Bolsonaro e Kajuru é gravíssima', diz Maia sobre áudio vazado pelo senador

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Brazilian President Jair Bolsonaro walks past the President of the Chamber of Deputies Rodrigo Maia during an official ceremony at the presidential office in Brasilia on June 17, 2020. (Photo by Sergio LIMA / AFP) (Photo by SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
O presidente também cobrou que a CPI, se instalada, trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores. Além disso, ele disse acreditar que a "CPI hoje é para investigar omissões" dele mesmo e "ponto final" (Foto: Sergio LIMA / AFP)
  • O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a conversa entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) é gravíssima e pode ser apurada na CPI

  • Kajuru divulgou uma gravação na qual Bolsonaro dá a entender que a investigação pode ser interrompida

  • Oposição diz que Bolsonaro tenta fazer cortina de fumaça

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, nesta segunda-feira (12), que a conversa entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) é gravíssima e pode ser apurada na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a pandemia do coronavírus.

"A conversa entre um senador e o Presidente da República articulando contra uma CPI e um ministro do STF é um fato gravíssimo. A própria CPI poderá investigar o possível crime do Presidente da República", escreveu Maia em uma publicação no Twitter.

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Neste domingo (11), Kajuru divulgou uma gravação na qual Bolsonaro dá a entender que, se houver pedidos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a instalação da comissão para apurar ações no combate da pandemia pelo governo federal pode ser interrompida

O presidente também cobrou que a CPI trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores, caso instalada. Além disso, ele disse acreditar que a "CPI hoje é para investigar omissões" dele mesmo e "ponto final". 

"Quer fazer uma investigação completa? Se não mudar o objetivo da CPI, ela vai vir só pra cima de mim. O que tem que fazer para ser uma CPI que realmente seja útil para o Brasil? Mudar a amplitude dela. Bota governadores e prefeitos", recomendou ao senador.

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Bolsonaro tenta fazer cortina de fumaça, diz oposição

Não foi só Maia que comentou o episódio. Na visão de parlamentares da oposição, a conversa telefônica vazada no domingo pelo parlamentar, deixou clara a tentativa do presidente de interferir na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que deve ser instalada no Senado nesta semana.

A opinião do senador Fabiano Cantarato (Rede-ES) é de que Bolsonaro tenta fazer cortina de fumaça para desviar o foco da CPI do Senado. “Que as assembleias estaduais investiguem desvios dos governadores e que o Congresso Nacional se dedique aos desvios federais”, destacou.

Líder da oposição no Senado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defendeu que Bolsonaro atentou “contra a autonomia dos poderes".

O parlamentar apontou também “conspiração contra o judiciário”. Na conversa telefônica, o presidente cobra do senador Kajuru que determine a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Luís Roberto Barroso, ministro da Corte, determinou na quinta-feira (8) que o Senado instale uma CPI para apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia.

"No pior domingo da pandemia, o Presidente da República nos dá mais um motivo para o 105 pedido de impeachment. Dessa vez, por conspiração contra o judiciário e por atentar contra a autonomia dos poderes!", escreveu no Twitter.

Já o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), autor do pedido de instalação da CPI, protocolou no sábado (10) um pedido de aditamento da comissão para ampliar o escopo, com a intenção de incluir nas investigações atos praticados por agentes políticos e administrativos de estados e municípios na gestão de recursos federais.

"Para não deixar margem de dúvida, já está apresentado, foi protocolado, e a gente vira esta página e o governo vai ter de inventar outra desculpa [para não apoiar a CPI]", disse. No entanto, nas redes sociais, o parlamentar negou que tenha falado com Bolsonaro.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) chamou o presidente Jair Bolsonaro de "charlatão", em apoio à instalação da CPI.

"As pessoas perguntam na rua: 'Quantas mortes poderiam ter sido evitadas se o governo tivesse acertado a mão?'. Essas questões têm que ser levadas na CPI. O presidente da Republica deu uma de charlatão, prescreveu remédios, defendeu a cloroquina, teria mandado fabricar... e isso tudo é passível de investigação", disse Calheiros em entrevista à CNN Brasil, no sábado (10).

Entenda o caso

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou na quinta-feira passada a instalação da CPI da Pandemia no Senado.

Mesmo com o recolhimento de 29 assinaturas, duas a mais que exigido pelo regimento da Casa para a instauração da CPI, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, vinha resistindo a instalá-la. O principal argumento de Pacheco para evitar a CPI é que a investigação irá atrapalhar o combate à pandemia.

Depois da decisão de Barroso, o presidente Jair Bolsonaro reclamou, em suas redes sociais, que a CPI “não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia”. Ele ainda subiu o tom e atacou Barroso.

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“Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”, afirmou.

A abertura da investigação no Congresso bate à porta do Palácio do Planalto no momento em que o Brasil enfrenta recordes diários de óbitos pela Covid-19, sem sinais de diminuição do ritmo de contaminação ou de aceleração da vacinação.

Dessa forma, a CPI da Covid amplia a pressão sobre o governo Bolsonaro.

Dependendo do resultado da investigação no Senado, as conclusões podem ser encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal do presidente Jair Bolsonaro e/ou de outros agentes públicos, como o ministro da Saude.

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