Conversa entre Ciro Gomes e o líder de uma facção criminosa é uma montagem

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Um suposto diálogo entre o pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) e um líder da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) voltou a circular no início de julho de 2022. Porém a sequência, com mais de 20 mil visualizações em redes sociais, é uma montagem composta por uma interceptação telefônica feita pela Polícia Federal e trechos de uma entrevista dada pelo ex-governador do Ceará em 2019.

O vídeo de 48 segundos, que circula em publicações no Facebook (1, 2), Twitter (1, 2) e Kwai (1, 2), contém o seguinte diálogo:

Líder da facção: “O que eu não posso, ‘mano’ é ficar parado aí sabendo que tem 700 a 800 mil. De compromisso e ajudas a serem pagas aí pro comando aí”.

Ciro Gomes: “O Camilo tá pagando, e eu não quero isso (COBRANÇA)! A ‘bucha’ é outra, mas é pro mal também. Porra, tão torturando alguém e o responsável sou eu”.

Líder da facção: “Eu aprendi que eu tenho que ver o que eu vou fazer pelo ‘comando’, e não o que o ‘comando’ vai fazer por mim”.

Ciro Gomes: “Esse argumento eu entendo. O Bolsonaro fez uma coisa que eu a considerava uma irresponsabilidade. Transferiu os chefes do PCC, do Comando Vermelho, dessas facções pros presídios federais e cortou a rede de comunicação. Então, veja, não foi o Bolsonaro que criou a crise, mas ele está agravando, está aprofundando a crise”.

Captura de tela feita em 9 de julho de 2022 de uma publicação no Twitter ( . / )

A mesma sequência já havia circulado nas redes em 2020.

Uma busca pelas palavras-chaves “Ciro Gomes”, “facção” e “PCC” levou ao site Focus.jor, que mostra um dos trechos da entrevista concedida por ele ao humorista Maurício Meirelles. Nela, Ciro Gomes elogia a medida tomada pelo presidente Jair Bolsonaro de mandar líderes de facções para presídios federais e de ter cortado a comunicação deles.

Uma segunda pesquisa pelas mesmas palavras-chave, dessa vez no canal de Maurício Meirelles no YouTube, levou à entrevista completa concedida no ano de 2019. Aos 20 minutos e 34 segundos, é possível ver o trecho em que Ciro elogia a atitude de Bolsonaro.

Na sequência viral também se escuta: “Eu não quero isso. A ‘bucha’ é outra, mas é pro mal também. Porra, tão torturando alguém e o responsável sou eu”.

Esse trecho também foi obtido da mesma entrevista e tirado de contexto. A partir de 2 minutos e 30 segundos o político, na verdade, disse: “Olha, eu não quero isso, porque eu nunca chorei nas oportunidades que eu tive, eu não sou uma novidade, eu não tenho o direito de ficar com esse papo furado. (...) A bucha é outra, mas pro mal também. (...) Porra, tão torturando alguém e o responsável sou eu".

Uma busca no Google pela frase “O que não posso mano é ficar, é ficar parado sabendo aí que tem 700” levou a um PDF divulgado pelo jornal o Estado de S. Paulo em uma reportagem sobre a Operação Cravada, deflagrada pela Polícia Federal, que em 2019 prendeu 39 pessoas ligadas ao núcleo financeiro do PCC.

No documento há o endereço digital que leva ao pedido de prisão preventiva e de busca e apreensão no site do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) com a senha a ser usada para ter acesso ao ofício.

Nesta segunda busca pela frase “O que não posso mano é ficar, é ficar parado sabendo aí que tem 700” , desta vez, no documento encontrado no site do TJ-PR levou à página 35 do documento, em que é possível encontrar a transcrição do áudio usado na sequência viral.

Captura de tela feita em 9 de julho de 2022 da página 35 de um documento do Tribunal de Justiça do Paraná ( . / )

Uma segunda busca dentro do documento, dessa vez, pelo termo “Ciro Gomes” não levou a nenhum resultado.

Conteúdo semelhante foi verificado pela Agência Lupa e pelo Aos Fatos.

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