Convidado a se retirar do Cidadania, Kajuru anuncia filiação ao Podemos

Julia Lindner
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Após ser pressionado a deixar o Cidadania, o senador Jorge Kajuru anunciou nesta quinta-feira que decidiu se filiar ao Podemos. Ele foi "convidado" a trocar de sigla após gravar e divulgar uma conversa com o presidente Jair Bolsonaro, no último final de semana, na qual trataram sobre o escopo da CPI da Pandemia e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar das divergências, ele afirmou que a saída do antigo partido foi "um divórcio respeitoso também pela incompatibilidade de ideias".

Durante sessão em plenário, Kajuru contou que já conversava sobre mudar de legenda com o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) desde o ano passado.

- A partir de hoje, ingresso no partido Podemos. E por quê? Porque, há um ano, um senador que classifico como reserva moral deste País, Alvaro Dias, vem conversando comigo, sabendo que eu sempre falava para ele: 'É meu sonho entrar no Podemos' - disse Kajuru.

Ao fazer o anúncio, o senador não mencinou o episódio com Bolsonaro. Ele tem sido aconselhado por pessoas próximas a não tocar mais no assunto.

Em conversa com o presidente por telefone, Kajuru tratou da CPI da Pandemia e sinalizou pela intenção de ampliar o escopo de investigação da comissão para contemplar estados e municípios, um anseio do presidente da República.

Bolsonaro também disse a Kajuru que é preciso pressionar o STF para que determine ao Senado Federal que analise pedidos de impeachment de ministros da Corte.

Para o presidente do Cidadania, Roberto Freire, o áudio é um flagrante crime de responsabilidade.

"O Cidadania também reafirma a defesa irrestrita do Estado Democrático, dos valores republicanos e da separação entre os Poderes, especialmente do papel da Suprema Corte como guardiã da Constituição. Esses valores são diametralmente opostos aos observados na conversa do senador Jorge Kajuru com o presidente Jair Bolsonaro, em que flagrantemente se se discute e se comete um crime de responsabilidade. E, nesse sentido, o partido fará um convite formal, com todo o respeito pelo senador, para que ele procure outra legenda partidária", afirmou Freire, em nota, após o episódio.