Convite de Guaidó à posse Luis Arce na Bolívia causa atrito com Venezuela

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O opositor venezuelano Juan Guaidó em foto de 23 de setembro de 2020, em Caracas
O opositor venezuelano Juan Guaidó em foto de 23 de setembro de 2020, em Caracas

O convite do governo em fim de mandato da Bolívia ao líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, para a posse do presidente eleito boliviano, Luis Arce, causou um "pequeno impasse" entre La Paz e Caracas, disse nesta quinta-feira (5) a equipe do novo governo, favorável ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

"Tivemos um pequeno impasse com o governo da Venezuela, porque infelizmente a chanceler Karen Longaric fez o convite a Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela, e isso gerou um impasse com um parceiro estratégico da Bolívia", declarou Freddy Bobaryn, membro da equipe Arce que coordena os atos de posse do próximo domingo com o governo em fim de mandato.

Como presidente do Parlamento venezuelano - único poder da oposição -, Guaidó se declarou em janeiro do ano passado o presidente encarregado do país, depois que a Câmara declarou o presidente Maduro como um "usurpador", acusando-o de ter sido reeleito fraudulentamente em maio de 2018.

Longaric fez o convite a Guaidó no mês passado, alegando que o governo da presidente de direita Jeanine Áñez o reconhece como o presidente da Venezuela, assim como 50 outros países.

Pelo mesmo motivo, excluiu Maduro, provocando protestos do novo governo Arce, que reivindica os estreitos laços políticos que foram construídos entre o falecido presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o ex-presidente boliviano, Evo Morales.

Longaric disse esta semana que Arce optou por convidar Maduro, mas Bobaryn - citado pela agência de notícias católica Fides - explicou que "o presidente venezuelano ainda não confirmou sua participação no evento, porque não foi devidamente convidado".

Arce tomará posse na Bolívia no próximo domingo, após sua impressionante vitória nas eleições de 18 de outubro, com 55% dos votos.

O Ministério das Relações Exteriores revelou que até agora confirmaram a presença: os presidentes do Paraguai, Mario Abdó, do Chile, Sebastián Piñera, da Colômbia, Iván Duque, da Argentina, Alberto Fernández, o rei Felipe VI da Espanha e do vice-presidente espanhol Pablo Iglesias.

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