“Cooptação de prefeitos não tem precedentes”, diz Haddad sobre orçamento secreto

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O ex-prefeito e pré-candidato a governador em São Paulo Fernando Haddad (PT) criticou nesta quarta-feira o chamado orçamento secreto e a relação desse mecanismo com prefeitos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também é crítico do procedimento e sinaliza que acabará com esse sistema caso seja eleito à Presidência em outubro.

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— (O orçamento secreto) foi o maior sistema de cooptação de prefeitos, de mudança de partido dos prefeitos. Não há precedente. Usando dinheiro público para sentar com o prefeito e fazer acordo político sem planejamento. A qualidade desse investimento se perdeu completamente — disse Haddad durante um evento com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O chamado orçamento secreto permite o governo contemplar deputados e senadores aliados com verbas além do que eles têm direito. Os congressistas podem enviar esses recursos para seus redutos eleitorais, beneficiando prefeitos parceiros, e, na maioria das vezes, sem critérios técnicos. A modalidade foi criada em 2019, no início do governo Bolsonaro. O mecanismo tem sido usado pelo presidente para conseguir apoio em votações no Congresso.

Haddad também criticou a proposta de emenda à Constituição (PEC) Eleitoral, que autorizou o governo a gastar R$ 41 bilhões para conceder benefícios a menos de três meses das eleições. O projeto fez parte dos planos do presidente Jair Bolsonaro (PL) para tentar alavancar sua campanha a reeleição. A medida aumentou o valor do Auxílio Brasil em R$ 200 de agosto a dezembro — período que contempla as eleições de 2022.

— Essa PEC que foi aprovada é desmoralizante. É tomar o dinheiro do Estado, da educação, para fazer demagogia. Nós não teremos dinheiro para investir se não acabar a fisiologia — disse Haddad.

Apesar da crítica dele, a PEC teve votos favoráveis de quase todos os congressistas do PT.

Programa de governo

O pré-candidato a governador de São Paulo disse que sua proposta de programa de governo deve ser finalizada ainda nesta quarta-feira e divulgada na próxima semana. Haddad afirmou que entregará o documento à Fiesp. A federação também entregou ao petista sugestões que o setor da indústria preparou para todos os pré-candidatos.

Haddad e o mercado

O ex-prefeito de São Paulo participou de sabatina com empresários na sede da Fiesp na capital paulista, nesta quarta-feira. Haddad aliviou suas críticas ao mercado, costumeiras no discurso do petista.

O petista também lembrou a relação que teve com José Alencar, que era pai do presidente da Fiesp, Josué Gomes, e foi vice-presidente de Lula. Ele disse a Gomes que projetos que realizou quando foi ministro da Educação, de 2005 a 2012, tiveram “muita ajuda do seu pai”. O presidente da Fiesp convidou Haddad para conhecer escolas do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), entidades vinculadas à federação.

Fernando Haddad foi o primeiro candidato a governador de São Paulo a participar das sabatinas da Fiesp. Outras campanhas já confirmaram a participação, mas ainda negociam a data do evento com a federação. A Fiesp também está realizando sabatinas com presidenciáveis.

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