COP26: países pedem menos financiamento de energias fósseis e mais às nações desfavorecidas

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Delegados da conferência climática COP26 da ONU assistem a um vídeo em Glasgow, Escócia, em 12 de novembro de 2021 (AFP/Andy Buchanan)

Subsidiar energias fósseis é uma "loucura", lançou o americano John Kerry na COP26, que nesta sexta-feira (12) se prolongou em busca de um acordo para reduzir a dependência do carvão e dos hidrocarbonetos e financiar as nações mais desfavorecidas.

"Temos que ver dinheiro na mesa para ajudar o mundo em desenvolvimento a realizar as mudanças necessárias" e "isso tem que acontecer nas próximas horas", urgiu o anfitrião da conferência, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, durante uma visita no sudeste de Londres.

Enquanto isso, em Glasgow, delegados de 194 países, reunidos desde 31 de outubro, continuaram buscando formas de desenvolver e cumprir os compromissos do Acordo de Paris.

O histórico pacto de 2015 estabeleceu um compromisso para limitar o aumento da temperatura global abaixo de +2 °C até o fim do século, na comparação com a era pré-industrial, e de maneira ideal o mais seguro +1,5 °C, para evitar as devastadoras catástrofes naturais representadas por cada décimo de grau adicional.

Quando chegou o final previsto da conferência, oficialmente marcado para as 18h GMT, ainda não havia acordo, portanto, como nos anos anteriores, a negociação se arrastou para o que se anunciava como uma longa noite de contatos.

- 'Definição de loucura' -

Uma das grandes questões pendentes são os 100 bilhões de dólares por ano prometidos desde 2009 às nações em desenvolvimento. Não só em 2021 isso ainda não foi realizado, como também agora um grande número de países está pedindo muito mais, somas que chegam a 1,3 trilhão de dólares por ano.

Entre os observadores, Vanessa Pérez-Cirera, chefe da ONG ambientalista WWF, sugeriu, por exemplo, que para arrecadar essa quantia "sejam suprimidos os trilhões que se gastam anualmente no subsídio aos combustíveis fósseis".

Antes da plenária, Kerry, enviado especial dos Estados Unidos para o clima, denunciou justamente os "trilhões de dólares em subsídios aos combustíveis fósseis" gastos por seu país "nos últimos cinco ou seis anos".

"Essa é a definição de loucura", disse o diplomata, cujo país voltou a negociar este ano, sob o governo do presidente Joe Biden, após sua saída durante a gestão de Donald Trump. "Esses subsídios têm que desaparecer", insistiu.

Além de subsidiar as petrolíferas, o governo federal americano cobra um imposto sobre os consumidores, com o qual, em 2016, arrecadou mais de 36 bilhões de dólares, segundo dados do Departamento de Transportes.

- Acordo de Paris -

Para buscar um terreno comum, o segundo rascunho de resolução, ainda provisório e divulgado durante a manhã, pede aos países "a supressão progressiva da energia produzida com carvão sem mitigação e dos subsídios ineficazes aos combustíveis fósseis".

As centrais de energia elétrica à base de carvão "sem mitigação" são aquelas que não utilizam tecnologia de captura de carbono para compensar parte dos gases que emitem à atmosfera.

Esta é uma menção sem precedentes em mais de duas décadas de negociações sobre tais combustíveis, incluindo gás e petróleo, amplamente responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa que provocam o aquecimento do planeta.

Porém, esta frase é mais suave que a do primeiro rascunho, que pedia simplesmente aos países para "acelerar o abandono do carvão e o financiamento dos combustíveis fósseis".

- Mais ambição para 2022 -

Lamentando que "o rascunho revisado tenha recuado em áreas cruciais", Pérez-Cirera celebrou o fato de que "o aumento a curto prazo dos compromissos climáticos para 2022 permaneça no texto, embora ainda seja insuficiente para a meta de +1,5 °C".

De acordo com um mecanismo estabelecido em 2015, os países devem revisar suas metas a cada cinco anos, com a próxima vez programada para 2025.

Desde o início da reunião em Glasgow, no entanto, as nações mais vulneráveis insistem em revisões anuais.

O primeiro rascunho de resolução, publicado na quarta-feira, pediu aos países para "revisar e fortalecer" os planos de descarbonização no próximo ano.

- É necessário fazer mais -

As emissões de gases do efeito estufa desde a Revolução Industrial já provocaram um aumento da temperatura de +1,1 °C e suas caóticas consequências, incluindo secas e inundações, devem aumentar e provocar o surgimento de milhões de refugiados climáticos, advertem os especialistas.

Os primeiros 10 dias da COP26 foram marcados por anúncios pomposos: novos objetivos da Índia - quarto maior poluente mundial -, promessas de acabar com o desmatamento até 2030 e a emissão de 30% a menos de metano, gás que tem efeito estufa 80 vezes maior que o CO2.

Até China e Estados Unidos, os dois maiores emissores do planeta, anunciaram de maneira inesperada um acordo para reforçar em conjunto a luta contra a mudança climática, apesar das profundas divergências em outros campos.

A ONU advertiu, no entanto, que, apesar das promessas, o planeta segue rumo a um "catastrófico" aquecimento de +2,7 °C e que os países devem fazer mais.

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