COP26 entra na reta final com negociações bloqueadas

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O presidente da COP26, Alok Sharma, durante sessão em 11 de novembro de 2021 em Glasgow, Escócia (AFP/Paul Ellis)

A conferência sobre o clima COP26, em Glasgow, entra nesta sexta-feira (11) na reta final com um bloqueio nas negociações, após duas semanas de grandes anúncios por vários países, que foram considerados insuficientes para enfrentar o desafio para o futuro do meio ambiente.

"O mundo está nos observando", declarou na quinta-feira o presidente da COP26, o britânico Alok Sharma, para a assembleia de negociadores antes da retomada de longas reuniões sobre um rascunho de declaração final.

Sharma delegou à ministra do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, Andrea Meza, a responsabilidade de dar coerência ao texto final.

"Temos que permanecer otimistas, estamos aqui para tomar decisões e precisamos tomar decisões agora", declarou Meza à AFP.

O financiamento, os mercados de carbono - nos quais os países podem comprar e vender direitos de emissões de gases do efeito estufa -, as perdas e danos provocados pela mudança climática e o nível do compromisso com a meta de +1,5 ºC são os principais temas de discussão, de acordo com as partes negociadoras.

Na versão mais recente do rascunho, os países eram convocados a acelerar os planos de redução de emissões e a apresentar novos objetivos em 2022, três anos antes do previsto.

Também havia uma menção específica com um pedido para que as nações abandomem a dependência dos combustíveis fósseis, o que seria uma novidade na longa história das conferências do clima organizadas pela ONU.

Na área de finanças, os países em desenvolvimento já conseguiram uma promessa das nações ricas, lideradas por Alemanha e Canadá, de que em dois anos devem regularizar a quantia de 100 bilhões de dólares anuais para ajudar a mitigar a emissão de gases do efeito estufa e, em menor medida, a adaptar-se às inevitáveis consequências da mudança climática.

- Adaptação ganha importância -

De 2025 em diante os quase 200 Estados representados em Glasgow devem estabelecer quanto dinheiro os países mais vulneráveis precisarão anualmente, e os primeiros valores são gigantescos.

"Pegamos o conjunto de compromissos nacionais, compilamos e chegamos à enorme quantia de 1,3 trilhão de dólares por ano", explicou Tanguy Gahouma-Bekale, negociador do grupo África.

"Este valor foi recebido de forma bastante difícil, com muitas resistências", admitiu.

"Há uma série de economias emergentes que não podem ser tratadas mais como países em desenvolvimento e estas são negociações não resolvidas, de muita geopolítica. Isto é o torna tão complexo o tema do financiamento", disse Meza.

"Especialmente o financiamento para adaptação, que é muito importante para a maioria dos países", explicou.

"Avançamos", disse à AFP o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

"Estamos tendo uma conversa completamente diferente de dois meses atrás. A adaptação avançou muito na agenda".

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