COP27: Lula recebe carta de governadores da Amazônia em seu primeiro evento

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, participa nesta quarta-feira de seu primeiro evento público na COP27, na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh. O petista está neste momento em uma breve reunião com os governadores da Amazônia Legal, que depois o entregarão uma carta que defende a agenda comum regional para a transição climática.

A “Carta da Amazônia: uma agenda comum para a transição climática” foi lida pelo governador paraense, Helder Barbalho (MDB), que havia convidado o aliado petista para viajar ao Egito. Além dele, também participaram do evento os governadores do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), do Tocantins, Wanderlei Castro (Republicanos), e do Acre, Gladson Cameli (PP).

Lula chegou ao centro de conferência pouco após às 11h da manhã acompanhado do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Foi recepcionado por ativistas com cantos de “Olê, olê, olê, olá, Lula”.

Com capacidade para 30 pessoas, o miniauditório do Hub da Amazônia Legal — o espaço que os nove estados da região dividem pela primeira vez na zona diplomática da COP — já estava lotado mais de uma hora antes da fala do presidente eleito. A sala, contudo, foi esvaziada por motivos de segurança antes da chegada de Lula, causando uma aglomeração do lado de fora.

Dentro, contudo, estavam autoridades como o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e a ex-ministra do Meio Ambiente e deputada federal eleita (Rede-SP) Marina Silva. A deputada federal eleita Sonia Guajajara (Psol-SP) também esteve presente, assim como a deputada federal Joenia Wapichana (Rede-RR) e a cantorá Fafá de Belém.

A procura foi tamanha que o espaço da sociedade civil tem a poucos metros dali retransmitiu o evento em seu próprio auditório.

Por volta das 17h desta quarta (12h no Brasil), o petista fará um pronunciamento à seguido de entrevista coletiva — ambas geram imensa expectativa e movimentam a COP27 nesta quinta-feira. O presidente também fará reuniões ainda não confirmadas, entre elas uma bilateral com o comissário climático da União Europeia, o holandês Frans Timmermans.

Na quinta, Lula participará de um evento no Brazil Climate Action Hub — espaço que a sociedade civil brasileira realiza pela terceira COP consecutiva na zona diplomática da ONU, ocupando um vácuo deixado pelos revezes das políticas ambientais do presidente Jair Bolsonaro. Mais tarde, se encontrará com representantes de povos indígenas.

Lula desembarcou no Oriente Médio na madrugada de terça, e teve reuniões bilaterais com os representantes climáticos da China, Xie Zhenhua, e dos EUA, John Kerry. Com ambos, falou sobre a Guerra na Ucrânia e reforçou seu objetivo de recuperar a liderança brasileira no cenário internacional — afirmou que pretende levar o Brasil de volta às conversas sobre meio ambiente e questões globais sem negacionismo sobre o aquecimento do planeta provocado pela ação humana.

Com o americano, o foco foi na cooperação climática. Com o chinês, falou também sobre a importância da cooperação Sul-Sul. Ambos enviados climáticos são velhos conhecidos de conferências climáticas e, na COP26 em Glasgow, na Escócia, contribuíram para que houvesse consenso na declaração final.


Na terça, o petista também teve encontros com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), onde defendeu retirar o Bolsa Família do teto de gastos pelos próximos quatro anos. Também encontrou-se com a ex-ministra do Meio Ambiente e um dos nomes mais cotados para comandar a pasta a partir de 1º de janeiro, a deputada federal eleita Marina Silva, que brifou Lula sobre as reuniões bilaterais que teve na última semana.

O presidente eleito se reuniu ainda com uma série de autoridades, como os os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Katia Abreu (PP-TO) e Eliziane Gama (Cidadania-MA), além de ativistas do movimento negro. Lula deixa o Egito na sexta, quando viaja para Portugal, onde terá reuniões com autoridades locais antes de retornar ao Brasil no fim de semana.

*A repórter viajou ao Egito a convite do Instituto Clima e Sociedade (iCS).