COP27 passa dos líderes aos negociadores

Este ano, inundações de proporções catastróficas afetaram 33 milhões de pessoas no Paquistão. O país prepara-se agora para o inverno, com milhões de desalojados.

Na COP27 em Sharm el-Sheik, no Egito, o primeiro-ministro paquistanês fez um apelo aos países ricos presentes, numa cimeira que têm inscritas oficialmente na agenda as "perdas e prejuízos" provocados pelas alterações climáticas.

Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão: "Apelamos a todos os que têm o poder e músculo financeira para mudar o rumo da história, alto e em bom som, e é para isso que esta conferência serve. É agora ou nunca. Para nós, não existe de facto um planeta B."

Terminados os discursos de dirigentes mundiais, a ordem de trabalhos da COP27 é agora transmitida às equipas de negociadores, que tentarão transformar as declarações de intenções em políticas concretas.

Depois de ter aberto a cimeira com um alerta para a necessidade de metas ambiciosas para a próxima década, o secretário-geral da ONU, António Guterres, indicou ontem no Twitter que deve haver uma política de "tolerância zero" face ao chamado "greenwashing", prática de esconder a poluição e impacto ambiental através de uma imagem e marketing "verde".

Catherine McKenna, presidente du Grupo de Peritos sobre Zero Emissões de Entidades Não-Estatais: "Há algum cinismo sobre se as promessas são reais e a realidade é que existem desafios reais. Por isso é evidente o que não se pode fazer... Não se pode investir em novos fornecimentos de combustíveis fósseis. Se dizemos que somos 'emissões zero' e que temos fortes ambições climáticas, não podemos continuar a investir em novas fontes de combustíveis fósseis. É esse o problema. É preciso cobrir todas as emissões."

Em paralelo, os presidentes da Colômbia, Venezuela e Suriname reforçaram no Egito o apoio a um projeto específico, a proteção da floresta amazónica, aproveitando a cimeira para pedir uma vasta aliança para pôr fim à deflorestação.