COP27 pelo clima e pela "transparência"

Mais uma oportunidade para travar as alterações climáticas. Representantes de quase duas centenas de países reúnem-se em Sharm el-Sheik, no Egito. A COP27, Cimeira das Nações Unidas sobre o clima arranca este domingo e deverá ter uma participação recorde.

Simon Stiell, secretário executivo da ONU para a convenção sobre as Alterações Climáticas, sublinha que o último verão evidenciou que as alterações climáticas afetam mais do que os chamados países vulneráveis. Stiell aponta "o calor extremo, os incêndios, as cheias, as secas" que se sentem na Europa, na América do Norte, na China e são consequência das alterações climáticas.

A COP27 mantém basicamente os mesmos objetivos das cimeiras dios últimos sete anos, quando foi assinado o Acordo de Paris: limitar o aquecimento global a 2ºC e se possível a 1,5ºC.

Acontece no entanto em plena crise política, energética, alimentar e económica desencadeada pela pandemia de Covid-19 e agravada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Sanções para quem não cumpre as metas

A Rússia, o quarto país mais poluente do mundo, deverá apelar à exclusão das tecnologias que reduzem as emissões de carbono das sanções. Moscovo "insistirá no princípio da neutralidade tecnológica," disse o vice-ministro russo da Economia.

O presidente russo Vladimir Putin não estará presente na reunião de Sharm el-Sheikh, mas antecipou a posição russa ao dizer que "os acontecimentos actuais empurraram os problemas ecológicos para segundo plano".

Segundo Putin, a transição para a neutralidade de carbono, que a Rússia planeia conseguir até 2060, dez anos após a União Europeia (UE), não contradiz os interesses nacionais do país, que possui vastos recursos de hidrocarbonetos.

Portugal contra recuos nas metas ambientais

O governo português reconhece as dificuldades colocadas ao abastecimento energético em consequência da intervenção militar russa na Ucrânia, mas manifesta-se contra recuos em relação ao cumprimento das principais metas já acordadas para o combate às alterações climáticas.

Esta será uma das principais posições que o líder do executivo português, António Costa, vai defender na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27).

"Temos dois deveres: Ouvir os cientistas e agir para salvar o planeta das consequências das alterações climáticas. O maior esforço tem de ser feito já, de forma a podermos evitar atingir o ponto de não retorno ", declarou António Costa na COP25, que se realizou em Madrid, em 2019, a última em que esteve presente.

Três anos depois desta conferência na capital espanhola, o Governo português chega à COP27, em Sharm el-Sheikh, sem mudanças relativamente à sua política de fundo em matéria ambiental e alinhado com as exigências da União Europeia no que respeita ao cumprimento das metas constantes no Acordo de Paris de 2015.

Em setembro passado, em Nova Iorque, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, António Costa afirmou esperar que desta COP27 saia um compromisso que permita uma transição ambiental inclusiva, assegurando uma repartição mais equilibrada do financiamento climático entre a mitigação e a adaptação.

Na 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP27), que só encerra dia 18, são esperados mais de 35 mil participantes, com 2.000 intervenções marcadas sobre mais de 300 tópicos.