Copa de 2022: Qatar celebra sucesso de eventos teste com público em meio à pandemia

O Globo
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Sede da Copa do Mundo que aconetecerá daqui menos de dois anos, o Qatar continua celebrando eventos de preparação para o torneio para testar a estrutura e condições do anfitrião de receber o mundial. Com a chegada da pandemia de COVID-19, esses eventos testes ganharam uma nova dimensão: precisam garantir também a segurança, a saúde e o bem-estar de todos os participantes.

Nos últimos três meses, o país recebeu jogos da final da Emir's Cup (a competição mais prestigiada no Qatar) e da Liga dos Campeões Asiática. No retorno do principal torneio de clubes da Ásia, mais de 900 jogadores de 30 equipes jogaram um total de 76 partidas, todas disputadas em várias sedes da próxima Copa do Mundo. De acordo com os organizadores, este foi o maior evento esportivo celebrado dentro de uma bolha desde o início da pandemia.

A segurança de todos os envolvidos foi mantida por meio de uma série de medidas que incluíram testes obrigatórios de Covid-19, meios de transporte seguros, desinfecção regular de todos os locais, incluindo instalações de treinamento e campos, bem como a presença de médicos nos estádios durante toda a competição. No total, foram realizados mais de 48 mil testes nas duas competoções, permitindo o comparecimento seguro de mais de 10 mil torcedores na final da Emir's Cups e na Liga dos Campeões da AFC, no último dia 19. A fase de grupos havia sido disputada sem a presença do público.

— Estamos prontos para organizar eventos cada vez mais seguros nos próximos meses e esperamos sinceramente que o mundo supere rapidamente a pandemia e retome a vida e os esportes como sempre gostamos deles — disse Nasser Al Khater, diretor executivo da Copa do Mundo do Qatar de 2022.

As estrutura dos eventos em um momento tão atípuco foi elogiada pela Fifa e pelas principais confederações de futebol, incluindo a Uefa e a Conmebol.

A expectativa é que o mundia de 2022 marque a celebração do mundo já livre da Covid-19, e os organzadores projetam que este seja o primeiro grande evento com a vacina contra Covid-19 já espalhada pela população mundial. Apesar da perspectiva de ter a seu favor uma demanda reprimida dos torcedores por estádios e aglomeração, a organização do primeiro mundial no Oriente Médio leva em conta os efeitos econômicos da pandemia no planeta. Por isso, o planejamento é deixar o país e o que cerca o Mundial mais acessível.

Retorno do público no mundo

No início deste mês a 11ª rodada da Premier League contou com o retorno de público em algumas das partidas. Foi a primeira vez que torcedores ingleses estiveram nos estádios desde março, quando a temporada passada foi interrompida por conta da pandemia. Cada clube estipulou suas próprias precauções no retorno dos torcedores, e alguns conseguiram liberação para até duas mil pessoas presentes. Apesar disso, a competição ainda sofre com surtos da doença e teve jogo adiado nesta semana.

Na Alemanha, os estadios chegaram a ser abertos em setembro, no início da temporada 2020/21, sob as regras de um protocolo elaborado pela Bundesliga. O acordo previa um limite de lotação de 20% nos estádios, distanciamento entre os torcedores e proibição de bebidas alcoólicas. O ministro da saúde alemão, Jens Spahn, criticou a decisão na época. Após o país atingir novos recordes de infectados em outubro, o governo anunciou a proibição de presença de público em eventos esportivos.

Já no Brasil, a CBF chegou a enviar ao Governo Federal um estudo com proposta de retorno gradual do público aos estádios. Em agosto, a ideia da confederação e dos participantes da Série A era tentar viabilizar a abertura dos portões no início de novembro, coincidindo com o começo do segundo turno do Brasileirão. Mas o governo do Rio antecipou a liberação para outubro, e isso gerou reação de clubes de outros estados, que pediram isonomia. A CBF reagiu e, após votação entre os participantes, vetou a presença de público em suas partidas.