Copa América x Olimpíada: compare os protocolos de saúde da Conmebol e do COI

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Dois eventos adiados, muitas incertezas e um relógio contando. O anúncio da transferência de sede da Copa América — marcada para o próximo dia 13 — da Argentina para o Brasil, anunciado nesta segunda-feira, levantou preocupações dos principais setores da sociedade e de autoridade sobre a segurança do evento em meio à pandemia de novo coronavírus. A nível de questionamento público, situação semelhante vive a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que tem início previsto para a metade de julho.

Essencialmente díspares em relação ao tamanho do evento, Olimpíada e Copa América têm abordagens que partem dos mesmos princípios em seus protocolo de saúde (no caso da Conmebol, o aplicado em suas competições de clubes), mas se alternam em severidade.

Enquanto os japoneses, cientes do adiamento, passaram meses elaborando medidas de segurança — nas quais empregaram cifras altíssimas, a competição da Conmebol, em constante troca de sedes — já havia deixado a Colômbia — exigirá da confederação sul-americana uma corrida pela logística ideal a menos de duas semanas do início do torneio.

Diferenças logísticas

Os nipônicos, ainda em estado de emergência (até 20 de junho) por conta da pandemia, encontram-se de fronteiras fechadas, mas se preparam para receber mais de 11 mil atletas de 205 países, com mais de 339 eventos sendo realizados em 42 locais. Os Jogos Paralímpicos apresentam 539 eventos em 22 esportes, hospedados em 21 locais — com um total de 4,4 mil atletas esperados. Já os Jogos Paralímpicos apresentam 539 eventos em 22 esportes, hospedados em 21 locais — com um total de 4,4 mil atletas esperados.

A Copa América, por outro lado, tem prevista a chegada de pouco mais de 600 pessoas, embora a natureza do torneio seja de maior circulação pelas sedes, quando comparada em proporção a Tóquio. Vale lembrar que, até esta terça-feira, o Brasil tem 21,58% de sua população vacinada ao menos com a primeira dose. No caso do Japão, que adota restrições de circulação mais severas, a taxa de vacinados é de 2,7%.

Segundo dados da Conmebol, a eficácia de seu protocolo é superior a 99%. Em 2021, entre janeiro e maio, a entidade organizou 45 jogos da Libertadores, da Sul-Americana e Recopa, em cidades e estádios do Brasil. A Copa América, de 13 de junho a 10 de julho, terá 28 jogos.

Em consulta aos protocolos do COI/Comitê Organizador de Tóquio e da Conmebol, o GLOBO elaborou um comparativo entre os dois. Procedimentos principais, como viagens, testagem, quarentena e casos positivos são dispostos em detalhes:

Vacina e máscaras

• Tóquio

O Comitê Olímpico Internacional (COI), o dono do evento, e o Comitê Organizador Tóquio 2020 não exigem vacinação para quem vai competir e trabalhar nos Jogos que começam em menos de 60 dias. Mas, incentivaram a vacinação de todos "em respeito ao povo japonês" e para maior segurança. O COI recebeu doações de imunizantes da Sinovac e da Pfizer e distribuiu para comitês olímpicos nacionais interessados. Foi o caso do Brasil, que está vacinando toda a delegação olímpica e paralímpica, incluindo médicos, árbitros, jornalistas, todos que vão à Tóquio trabalhar. E também do Japão, que começou nesta terça-feira a vacinação de seus atletas e membros do corpo técnico. A estimativa é que cerca de 80% dos participantes estejam vacinados para os Jogos de Tóquio.

Mesmo vacinados, todos terão de usar máscaras e cumprir o distanciamento social. No caso dos atletas, não é possível ficar a menos de 2 metros de distância em relação a eles. Entrevistas serão controladas: coletivas terão acesso restrito assim como na Zona Mista.

• Conmebol

Assim como o COI, a Conmebol não obriga, mas recomenda às seleções que vacinem jogadores e membros da delegação. Cada seleção tem direito a 140 doses do lote de vacinas doado pela Sinovac e oferecido gratuitamente pela confederação aos clubes e seleções. O uso de máscaras, as medidas de distanciamento social e demais procedimentos do protocolo seguem obrigatórios mesmo com a imunização.

As equipes de arbitragem e seis seleções das dez que disputarão o torneio já se vacinaram, e a CBF se comprometeu a imunizar todas a tempo da competição, segundo comunicado da Casa Civil. A expectativa é que as delegações totalizem cerca de 650 pessoas, sendo quase a metade desse quantitativo formada por atletas.

Antes do embarque

• Tóquio

Duas semanas antes do embarque e durante os Jogos, será preciso monitorar a saúde e inserir a temperatura em um aplicativo chamado Health Monitoring App. Os organizadores pediram para cada grupo designar um responsável para ter canal direto e para se responsabilizar pelos dados e controle.

• Conmebol

É obrigatória a realização de testes RT-PCR antes de cada viagem. Os testes devem ser realizados pelas delegações até 72 horas antes das partidas, e os casos suspeitos são isolados. A Conmebol mantém com as equipes médicas e possui uma plataforma de monitoramento de saúde de suas delegações, o "Portal Médico". Por lá, os responsáveis médicos de cada equipe devem inserir dados sobre os atletas até 24 horas antes de cada viagem. Em caso de resultado positivo, o atleta não estará habilitado a viajar. As equipes viajam em voos privados (charters).

Restrições e torcida

• Olimpíada

A organização confeccionou duas versões de regras para cada grupo da "família olímpica", como atletas, jornalistas e membros de federações internacionais. O primeiro "playbook" foi divulgado em fevereiro e o segundo, em abril. Nesses livros há regras a serem cumpridas e recomendações. Uma terceira versão das regras está prevista para junho, mesmo mês em que é esperada a definição sobre a permissão ou não de público residente no Japão nas arenas. Espectadores estrangeiros já foram barrados em março. Se houver torcedores japoneses nas arenas será em número limitado e eles serão orientados a não gritar e cantar. Apenas aplaudir.

• Conmebol

A presença ou não de torcedores na Copa América está indefinida, mas é improvável. Cidades que se posicionaram de forma positiva a receber partidas exigem a ausência de público. Convidados e membros de delegações que assistirem às partidas fora do gramado serão alocados na zona 2 (arquibancada, tribunas e áreas correlatas), onde a confederação estabelece um quantitativo de 90 a 145 pessoas.

Testagem

• Olimpíada

Segundo o protocolo, serão exigidos dois testes RT-PCR dentro de 96 horas antes do embarque ao Japão, sendo que um destes tem que ser feito com no máximo 72 horas antes da viagem. Há exigência de laudo em inglês e uma lista de laboratórios aprovados por eles para todos os viajantes. Os testes deverão usar um dos métodos listados no "certificado de teste para Covid-19" designado pelas autoridades japonesas. Há vários tipos aprovados, entre eles RT-PCR, LAMP e de antígeno. O teste negativo deverá ser apresentado durante o check-in no aeroporto. Todos farão nova testagem na chegada ao Japão e só serão autorizados a fazer processos de entrada no país após o resultado negativo.

Após a chegada ao país, as pessoas serão testadas diariamente por três dias. Depois desse período e ao longo da estada, a periodicidade dos exames poderá variar de acordo com a função e nível de contato com os atletas. Para os atletas e pessoas próximas, os testes serão diários e ocorrerão sob supervisão em uma área reservada para isso na Vila Olímpica. Os testes iniciais serão um antígeno de saliva. Se os resultados do primeiro teste não forem claros ou forem positivos, um teste PCR de saliva será realizado a partir da mesma amostra.

Jornalistas farão testes a cada 3 dias. Para entrar no Centro de Treinamento do Comitê Olímpico do Brasil (COB), em Chuo, será preciso apesentar RT-PCR negativo feito 48 horas antes.

• Conmebol

Nas competições Conmebol entre clubes, tanto as equipes da casa, quanto as equipes visitantes passam pelo mesmo expediente de testagem 72 horas antes de cada partida, com resultados e observações enviadas até 24h antes do jogo. Com o número de sedes limitado na Copa América, a tendência é que o número de viagens seja reduzido e estas sejam mais curtas, mas os cuidados devem permanecer os mesmos. Há, também, a possibilidade do aumento de frequência de testes.

Além da testagem, os jogadores passam por medições diárias de temperatura e acompanhamento médico em relação a sintomas, que deverão ser relatados à Conmebol por meio de plataformas próprias em seus primeiros sinais. Jogadores com temperatura superior aos 37,4°C não serão admitidos para treinamento e jogos.

Árbitros, oficiais de partida, médicos, estafe e demais pessoas com acesso à zona 1 (gramado) dos estádios também são testados, sob as mesmas condições que as delegações.

Quarentena e cuidados

• Tóquio

Todos os participantes deverão, a princípio, usar exclusivamente veículos oficiais dedicados aos Jogos e não estarão autorizados a pegar transporte público. Haverá restrição ainda nos locais de alimentação permitidos.

Haverá tipos diferentes de quarentena dependendo de qual a função de cada um nos Jogos Olímpicos. Atletas ficarão três dias isolados. Jornalistas terão de cumprir 14 dias, com restrição de circulação. Além disso, só poderão se hospedar em hotéis oficiais e terão de submeter plano de atividades para esses 14 dias. São obrigados a informar onde vão, em qual horário, tendo de escolher esses locais com base em uma lista elaborada pela organização.

Mesmo após a quarentena, não será possível circular livremente pela cidade. É preciso baixar um aplicativo de localização que deverá será monitorado pelos organizadores. Atletas só irão circular entre os locais de competição e Vila dos Atletas.

• Conmebol

Os atletas são proibidos de deixar os hotéis e os campos de treinamento sem autorização prévia. Também não podem receber visitas nesses locais. A Conmebol recomenda que evitem, também, circular em áreas comuns dos hotéis e comer em regime de buffet, para evitar aglomeração.

Todos os locais que os atletas frequentam, como vestiários, campos de treinamento, salas específicas, entre outros, passam por rigorosos processos de higienização. O uso de máscaras e proteção facial nos ônibus e em áreas comuns de hotéis e outros locais é obrigatório, bem como durante contatos com a imprensa. Os procedimentos de distanciamento social também serão adotados sempre que possível.

As entrevistas coletivas são feitas de forma online, e mesmo os jornalistas credenciados para acessar o gramado não podem adentrar a sala de coletiva.

Nos dias de jogos, o protocolo proíbe cuspes no gramado, troca de camisa, beijos na bola e determina o uso da máscara nos bancos de reserva e áreas de competição. Os técnicos podem retirar a máscara no momento das instruções às equipes à beira do gramado.

Em caso de descumprimento, as multas variam entre 15 (primeira infração) e 30 mil dólares (segunda). Em caso de uma terceira infração, a Conmebol passa a responsabilizar os clubes inteiramente e se reserva o direito de aplicar sanções.

Casos positivos

• Tóquio

Casos positivos confirmados serão obrigados a se isolar (ou ser hospitalizado) e não poderão continuar competindo. A localização e a duração do período de isolamento serão determinados pelas autoridades de saúde japonesas, dependendo da gravidade e dos sintomas. Haverá ainda um hotel reservado para a hospedagem de casos específicos.

• Conmebol

Em caso de testes positivos, o infectado é cortado imediatamente das partidas e (ou) da viagem e colocado em isolamento.

Para membros das delegações e oficiais Conmebol, o período obrigatório de isolamento é de dez dias desde a realização do teste mais três dias sem sintomas no caso de pacientes sintomáticos. Para assintomáticos, basta o período de dez dias.

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