Copa em país sem tradição no futebol tem mais zebras? Veja o que o histórico revela

Em apenas 12 jogos realizados, a Copa do Catar já tem duas “zebras” históricas em seu currículo: as viradas da Arábia Saudita sobre a Argentina e do Japão sobre a Alemanha, ambas pelo placar de 2 a 1. Resultados como esses, apesar de surpreendentes, são sempre esperados em Mundiais e chegam a ser abundantes nas competições disputadas em países com pouca tradição no futebol, como é o Catar.

Desde 1990, sem levar em conta o Mundial catari, a Fifa realizou oito Copas do Mundo, sendo quatro delas em países sem muitas glórias no esporte (Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, África do Sul e Rússia). Houve cinco surpresas entre os semifinalistas nesses mundiais: Suécia e Bulgária em 1994, Turquia e Coreia em 2002, e Croácia em 2018.

Tabela da Copa: Datas, horários e grupos do Mundial do Catar

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Já os outros quatro Mundiais nesse período foram disputados em países cujas seleções têm maior peso no cenário internacional (Itália, França, Alemanha e Brasil). Só uma vez uma “zebra” chegou entre as quatro melhores: a Croácia, em 1998.

Independentemente de avançar ou não para as fases decisivas da competição, muitas seleções de menor envergadura surpreenderam gigantes nas últimas Copas. No Mundial disputado no Japão e na Coreia do Sul, houve fartura nesse sentido. A então atual campeã França foi derrotada na estreia por Senegal. Além da seleção do craque Zinédine Zidane, a outra campeã mundial daquele grupo também caiu na primeira fase: o Uruguai. Avançaram dinamarqueses e senegaleses.

A seleção africana voltou a surpreender nas oitavas de final ao eliminar a Suécia, que havia se classificado em um grupo que incluía também Inglaterra e Argentina — os sul-americanos não avançaram. Também nas oitavas, os sul-coreanos derrubaram a gigante Itália com um histórico gol de ouro na prorrogação.

Já na Copa da África do Sul, em 2010, França e Itália caíram na primeira fase. Foi a primeira vez na história em que nenhuma das finalistas da edição anterior do Mundial conseguiu avançar ao menos para as oitavas de final. Os italianos não conseguiram nenhuma vitória em um grupo que tinha como adversários Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Os franceses, por seu turno, empataram com Uruguai e foram derrotados por México e África do Sul naquela trágica campanha.

No Mundial disputado na Rússia, a primeira fase teve como surpresas o empate da Argentina de Lionel Messi com a Islândia e as derrotas da tetracampeã Alemanha para México e Coreia do Sul — os alemães terminaram em último em seu grupo.

As Copas disputadas nos territórios mais afeitos ao futebol, é bem verdade, também tiveram suas surpresas. No Brasil, a Costa Rica derrotou a Itália e se classificou em primeiro em um grupo que tinha os também campeões mundiais Uruguai e Inglaterra. Em 1990, na Itália, a Argentina de Diego Maradona (que viria a chegar à final) foi derrotada na estreia para Camarões.

Um dos lugares-comuns das transmissões esportivas em época de Copa do Mundo prega que “não existe mais bobo no futebol”. A máxima, ao menos nos últimos 32 anos, revela-se mais forte nos lugares menos comuns para o esporte, com o perdão do trocadilho.