Copa do Mundo é usada para promover ilegalmente Bolsonaro em outdoors do DF

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após Brasília ter sido inundada de outdoors convocando a população para os atos do 7 de Setembro e, depois, replicando cores, lemas e temática bolsonaristas, dessa vez a capital federal tem, às portas do segundo turno das eleições, propaganda que usa a Copa do Mundo de futebol para disfarçar campanha ilegal a favor de Jair Bolsonaro (PL).

Em um dos outdoors afixados na região Noroeste da cidade, por exemplo, há sob um fundo amarelo a expressão "estamos juntos, Brasil", acompanhado de "Copa do Mundo 22". O número de Bolsonaro na urna é o 22.

A lei eleitoral, no parágrafo 8º do artigo 38, diz que "é vedada a propaganda eleitoral mediante outdoors, inclusive eletrônicos, sujeitando-se a empresa responsável, os partidos, as coligações e os candidatos à imediata retirada da propaganda irregular e ao pagamento de multa no valor".

Como a Folha mostrou, em setembro outdoors de grupos bolsonaristas que convocavam as pessoas para as comemorações do 7 de Setembro foram substituídos por imagens com frases idênticas e design similar, promovendo, na prática, uma propaganda que é proibida por lei.

Com as cores da bandeira do Brasil, havia mensagens inclusive de incentivo ao voto de idosos e outras com slogans repetidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores.

Às vésperas do Dia da Independência, líderes do Movimento Brasil Verde e Amarelo assumiram, em entrevista à Folha, a autoria e o custeio de outdoors com a frase "É agora ou nunca" -repetindo o ultimato dado por Bolsonaro para que os apoiadores fossem para as ruas pela última vez.

Integrantes do movimento, que representa 200 entidades e associações rurais do país, disseram que há ruralistas no time que banca a campanha velada ao presidente Bolsonaro nos outdoors.

No entanto, o movimento afirma que não está participando de forma coordenada dessa campanha.

Às vésperas do 7 de Setembro, o grupo assumiu a frente da organização de tratores para o desfile oficial, arrecadação de recursos para pagar transporte e alimentação a apoiadores de Bolsonaro e também os outdoors e carros de som no evento.

O Movimento Brasil Verde e Amarelo foi criado por barões do agronegócio em 2017 com foco na defesa das pautas do setor, principalmente para resolver o problema da dívida bilionária com o Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural).

Após a eleição de Bolsonaro, a articulação tem crescido e o grupo começou a promover eventos em Brasília e outros estados em apoio a agendas do governo e ao próprio presidente.

Entre os principais representantes do grupo estão Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) e investigado por ataques ao Supremo Tribunal Federal, e Júlio Nunes, pecuarista do Mato Grosso do Sul.

No final de agosto, a Justiça Eleitoral de Santa Catarina determinou a retirada de um painel semelhante aos vistos em Brasília, com as cores do Brasil e o slogan "Deus, pátria, família e liberdade".

Campanha eleitoral a favor de Bolsonaro por meio de outdoors tem sido uma tônica entre seus apoiadores desde a campanha de 2018, quando eles se espalharam pelo Brasil, também em um ato contrário à lei.

Naquela eleição, Bolsonaro estava no até então nanico PSL (hoje União Brasil) e tinha um minúsculo tempo de propaganda no rádio e na TV. Agora, o atual presidente da República teve a segunda maior fatia de propaganda eleitoral no primeiro turno e, no segundo, dividiu o espaço meio a meio com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).