Copa do Mundo deve ter hoje o seu primeiro atleta do século XXI

Se as escalações do zagueiro Piero Hincapie e do meia Moises Caicedo, ambos de 20 anos, forem confirmadas hoje, eles farão história no jogo de abertura da Copa de sua seleção, o Equador, contra o Catar. Serão os primeiros jogadores nascidos no século XXI a atuarem em uma Copa do Mundo. Há ainda outros três atletas na partida, dois cataris, que podem inaugurar o feito, mas ambos devem começar no banco de reservas.

Se não forem eles, por certo alguém virá bater a marca nos jogos de amanhã. Se a Copa de 2018 — a quinta no século XXI — perdeu essa chance (o mais novo era o australiano Daniel Arzani, nascido em 1999), e não tinha nenhum jogador com 18 anos ou menos, o passar do tempo e o rejuvenescimento dos elencos são realidade no Mundial do Catar.

Ao todo, 78 (9,3%) dos jogadores convocados nasceram no novo século, sendo seis deles nascidos em 2004. O mais novo, Youssada Moukoko, da Alemanha, faz aniversário hoje. 18 aninhos.

No Brasil, os representantes nessa lista são Rodrygo, nascido no nono dia de 2001, e Gabriel Martinelli, o caçula da lista, do mesmo ano, mas em junho. Os dois serão os únicos jogadores da história do Brasil nas Copas que não nasceram no século XX, já que o Brasil não teve representantes nascidos antes de 1901 na primeira Copa.

No geral, o jogo de hoje inaugura o terceiro século de atletas mundialistas. Ao todo, 11 jogadores nascidos no século XIX jogaram a Copa de 1930. A distância entre o nascimento do primeiro jogador a jogar uma Copa, o goleiro belga Jean de Bie, de 9 de maio de 1892, e o aniversariante Moukoko, de 20 de novembro de 2004, é de 112 anos, 6 meses e 11 dias, mostrando que a história da Copa, definitivamente, já é trissecular.

O caçula do Mundial traz na bagagem o repertório de gente grande nesta temporada pelo Borussia Dortmund: foram seis gols e cinco assistências — duas na Champions League — em 22 partidas na temporada.

Tantos jogadores tão jovens criam expectativa para a quebra de um recorde que pode demorar a ser batido. Nunca um atleta conseguiu longevidade o suficiente para disputar seis edições diferentes de Copa do Mundo. Os recordistas, com cinco, são os mexicanos Antonio Carbajal e Rafa Márquez, o alemão Lotthar Mattaus, e o goleiro italiano Gianluca Buffon, que poderia ter ido à sexta se a Itália tivesse se classificado em 2018.

Nesta edição, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e o goleiro mexicano Guillermo Ochoa chegam à quinta Copa, mas não é provável que estejam no Mundial de 2026. Os seis atletas nascidos em 2004 que estreiam no Catar, se forem a todas as Copas até os 38 anos de idade, podem bater o recorde na Copa de 2042. Uma edição de Mundial que, provavelmente, verá a estreia de atletas que ainda não nasceram no dia em que nasce, finalmente, a Copa do Catar.