Copa do Mundo resgata camisa verde e amarela e brasileiros vestem as cores da bandeira para a estreia

Após dois meses de uma corrida eleitoral tensa, quando os ânimos ficaram exaltados e as cores da bandeira do Brasil representaram um lado da disputa, a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo do Catar fez brasileiros de espectros políticos distintos se reunirem novamente com um detalhe em comum: a camisa canarinho.

Se a paixão nacional é o futebol, nada mais simbólico do que no dia em que a seleção brasileira estreia na Copa do Mundo do Catar, vestir verde e amarelo.

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Na hora de usar as cores da seleção não falta criatividade. Nas ruas de Madureira é possível encontrar desde pessoas com uma camisa simples do Brasil, até os torcedores mais apaixonados, que investiram em complementos para a camisa canarinho. Os amigos Wendel Weber, 24, e Daniel Gomes, 29, deixam claro sua opinião quando o assunto é usar a camisa da seleção.

– Patriotismo nunca deve ser relacionado com política. A gente se vestiu assim para torcer pelo Brasil, pelo Hexa e se divertir – fala Wendel.

Outros torcedores concordam que a Copa veio para unir um país que estava dividido. Carla Miranda, 46, ensina as netas desde cedo que a camisa do Brasil é do povo, independente de qualquer resultado nas urnas. Nessa Copa, junto com a família, ela vai torcer pela vitória vestindo a blusa amarela e ensinando para as netas sobre orgulho de ser brasileira.

– Eu sou brasileira vim aqui torcer porque sou brasileira. Acho que independente de resultado político, a camisa do Brasil pertence ao povo – fala Carla, que não abre mão de usar a blusa amarela quando o assunto é Copa.

A estreia do Brasil no Mundial marca também a volta de alguns brasileiros que pararam de usar a verde e amarelo por medo de associação a partidos políticos ou por receio de agressões. A aposentada Teresa Cristina Ferreira é uma dessas pessoas. Desde as eleições não usava a blusa canarinho, mas ela garante que a partir de agora não vai parar de vestir a camisa do seu país.

— Eu parei de usar (camisa do Brasil) por causa dos acontecimentos políticos. Mas agora eu voltei, não pretendo mais parar de vestir a camisa do Brasil. Ela é nossa – afirma a aposentada animada por voltar a vestir as cores do Brasil.

Na Fan Fest nas areias de Copacabana, a maioria do público que aguardava o início do jogo também veste a amarelinha – e suas variações. A produtora de eventos Daniela Flandim, 44, não pensou duas vezes antes de optar pelas cores tradicionais para acompanhar a partida. Mas, customizou a camiseta para deixar claro seu posicionamento político:

— Depois desses quatro anos, tudo ficou mais difícil, mas quis deixar claro qual é meu lado e não tenho vergonha dele. Nem cogitei vir ver o jogo de outra forma. São as cores do meu país — disse.