Copacabana ganha pintura gigante e entra para 'maior corrente humana do mundo'

Na semana passada, o desenho de duas mãos entrelaçadas transformou a paisagem das areias de Copacabana. Foi a primeira vez que as pinturas gigantes do projeto Beyond Walls foram feitas no Brasil. Idealizado pelo artista francês Guillaume Legros, de 33 anos, a intervenção passará por 30 cidades nos 5 continentes até 2023 e vai criar a “maior corrente humana do mundo”. Um campo de futebol no Morro do Zinco, no Estácio, também ganhou parte da obra ontem.

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O artista escolheu o Rio de Janeiro para conversar com a etapa 10 do projeto, feita na República de Benin, pequeno país localizado na África Ocidental, de onde vieram milhares de pessoas que foram escravizadas no Brasil. Para Saype, o Rio representa a dualidade do nosso país, pois contrasta a beleza de uma das praias mais famosas do mundo, Copacabana, com a herança de uma cidade escravocrata.

As pinturas, que têm os braços de duas pessoas entrelaçados como base, ganha novos detalhes em cada cidade em que é feita. Saype também costuma agregar particularidades de homens e mulheres com quem se encontra ao longo do projeto adicionando pulseiras, anéis ou tatuagens.

O projeto fará uma próxima parada no município Brumadinho, em Minas Gerais, onde uma barragem se rompeu em 2019 e matou 270 pessoas. A intenção de Saype é ressignificar o local que foi usado pelos Bombeiros para trazer os corpos de vítimas durante as buscas. A intervenção vai começar na próxima sexta-feira (22) e deve ser finalizada no domingo com um abraço coletivo dos familiares das vítimas do desastre. As demais cidades ainda não foram definidas.

Com o intuito de gerar uma corrente de solidariedade e gerar reflexões sobre sustentabilidade, Saype utiliza uma tinta biodegradável, à base de carvão vegetal e giz, o que faz com suas pinturas sejam efêmeras e sumam rapidamente. Além disso, Saype precisa lidar com empecilhos meteorológicos que dificultam o processo de pintura ao ar livre. Em Copacabana, por exemplo, o artista precisou recomeçar o desenho pelo menos três vezes por causa de chuvas e rajadas de vento.

— A ideia de que as obras seriam efêmeras vem do budismo: a obra fica na memória, mas não no solo. E isso me dava possibilidades infinitas. Mas para ter sentido, eu precisaria encontrar, obrigatoriamente, uma maneira ecorresponsavel de fazer isso, então passei um ano pesquisando uma receita de tinta que está em evolução desde 2012 — conta o artista.

Conhecido como Saype, contração de "Say Peace" em inglês, o pintor foi considerado um dos jovens mais influentes na área cultural no mundo em 2019. Saype tem mais de 50 pinturas, incluindo na sede da ONU, em Nova Iorque, no Champ de Mars, em Paris, além de participação na Bienal de Veneza.

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