Copom elevará Selic em um ponto, a 5,25%, para conter inflação

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Sede do Banco Central do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) elevará na quarta-feira em um ponto percentual sua taxa básica de juros a 5,25%, após três altas sucessivas de 0,75 ponto, insuficientes para controlar a inflação, segundo as previsões da maioria dos analistas.

O Copom já tinha previsto em junho, em sua última reunião, a possibilidade de realizar "outro ajuste da mesma magnitude" em agosto.

O comitê iniciou em março o ciclo de altas da taxa Selic, que manteve durante sete meses em seu mínimo histórico de 2% para mitigar o impacto da pandemia da covid-19 sobre os investimentos e o consumo.

Em seguida, tentou moderar o ajuste, com a expectativa de que o repique inflacionário fosse absorvido no segundo semestre do ano.

Mas tudo indica que isso não vá ocorrer espontaneamente.

A inflação acumulada em doze meses saltou de 2,13% em junho de 2020 para quase o quádruplo, 8,35%, em junho deste ano, e poderia chegar a 9% em julho.

Os preços vão aumentar 6,79% em 2021, muito acima do teto de tolerância de 5,25% da meta oficial, segundo a projeção do boletim Focus de expectativas do mercado, em alta há 17 semanas.

A previsão de inflação para 2022 também está em alta e chega atualmente a 3,81%, superior ao centro da meta do ano que vem, de 3,5%.

O mercado, que no começo do ano previa que a Selic alcançaria no máximo 3% até dezembro, agora estima que chegará a 7%.

O professor de economia Mauro Rochlin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não descarta que o Copom vá elevar a taxa em 1,25 ponto na quarta-feira, a 5,5%, e uma Selic a 7,5% em dezembro.

"A inflação se acelerou, mas o BC mantém a mesma estratégia. Passou da hora de o BC ser um pouco mais ousado", afirma.

- Inflação "disseminada" -

Rochlin observa que a alta de preços se deveu inicialmente a fatores específicos, como a forte demanda interna e externa de alimentos, o aumento dos combustíveis e a desvalorização do real perante o dólar.

Mas agora, trata-se de uma inflação "mais disseminada", com aumentos de preços no setor de serviços, que se acentuam "à medida que a vacinação avança e se alcança a imunização".

Os investidores receiam novas pressões inflacionárias para 2022, um ano eleitoral.

O presidente Jair Bolsonaro, que tentará a reeleição, avalia criar um programa que eleve os benefícios do Bolsa Família e "o mercado está muito preocupado para ver onde o governo vai encontrar espaço para poder financiar isso", diz Rochlin.

Outros economistas alertam que as taxas elevadas podem sufocar a recuperação econômica.

Segundo o boletim Focus, o PIB do Brasil crescerá 5,30% este ano, após uma contração de 4,1% em 2020.

Mas o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, considera que um excesso de rigor monetário "piorará as condições de crédito para famílias e empresas".

Rochlin afirma, ao contrário, que a inflação alta pode ser um dos maiores entraves para manter o impulso da economia.

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