Copom mantém Selic a 13,75%, freando ciclo de altas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) manteve nesta quarta-feira (21) a Selic, sua taxa básica de juros, a 13,75%, interrompendo um ciclo de doze altas consecutivas, iniciado em 2021 para combater a inflação elevada.

A decisão do Copom atendeu às expectativas do mercado e o comitê informou que "se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação" para a meta oficial.

A autoridade monetária "não hesitará em retomar o ciclo de ajuste" se a inflação não baixar como se espera, acrescentou.

Citando o alto grau de incerteza em torno da economia brasileira e mundial, dois dos nove membros do comitê votaram por um aumento residual  de 0,25 ponto percentual, informou a instituição.

O Copom elevou a Selic 12 vezes seguidas desde março de 2021, quando a taxa básica de juros estava em um piso histórico de 2% para incentivar o consumo e o investimento em meio à pandemia.

A taxa vigente, de 13,75%, é a mais alta desde janeiro de 2017.

A disparada dos preços ao consumidor se tornou um dos principais desafios para o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentará a reeleição em outubro, mas as pesquisas de opinião apontam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como favorito ao Palácio do Planalto.

A inflação acumulada este ano é de 4,39%, enquanto nos últimos 12 meses situou-se em 8,73%.

No entanto, os preços ao consumidor caíram 0,36% em agosto. O dado significou o nível mais baixo para esse mês em 24 anos e o segundo recuo mensal consecutivo, empurrado pela queda nos preços dos combustíveis.

A meta de inflação do BCB para 2022 é de 3,5%.

O mercado projeta um crescimento do PIB de 2,65% para 2022, com uma Selic estável em 13,75%, segundo o boletim Focus do BCB, publicado na segunda-feira. Para 2023, enquanto isso, as instituições financeiras esperam uma diminuição da taxa básica de juros para 11,25% no fim do ano.

Pouco antes do anúncio do Copom, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou nesta quarta outro aumento robusto de 0,75 ponto percentual de suas taxas de juros de referência (que agora se situam entre 3% e 3,25%), em uma tentativa de conter a escalada dos preços.

O Fed advertiu que agora espera que o crescimento da maior economia mundial será quase nulo em 2022. Além disso, estimou que serão necessários novos aumentos dos juros para conter a escalada dos preços.

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