Copom surpreende e eleva Selic a 2,75% na primeira alta em 6 anos

LARISSA GARCIA E FÁBIO PUPO
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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019: Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019: Calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A escalada persistente dos preços, observada nos últimos meses, levou o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central a elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, a 2,75% ao ano, nesta quarta-feira (17).

A Selic estava em seu menor patamar desde agosto do ano passado, a 2% ao ano, como resposta à crise gerada pela pandemia de Covid-19.

A decisão de aumentar os juros em 0,75 ponto percentual surpreendeu porque veio acima das expectativas do mercado. A maior parte dos economistas consultados pela Bloomberg esperavam elevação de 0,5 ponto –alguns apostavam em uma alta mais gradual, de 0,25.

Esta é a primeira elevação desde junho de 2015, quando a autoridade monetária decidiu subir os juros em 0,5 ponto, a 14,25% ao ano.

Em comunicado, o Copom sinalizou que, na próxima reunião, pode fazer mais um aumento de 0,75 p.p,, o que elevaria a Selic para 3,50%.

"Para a próxima reunião, a menos de uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude", informou.

"O Copom ressalta que essa visão para a próxima reunião continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação."

​O controle da inflação é a principal atribuição da autoridade monetária. Para isso, o BC define a meta da taxa básica de juros.

Quando a inflação está alta, o Copom sobe os juros com o objetivo de reduzir o estímulo na atividade econômica, o que diminui o consumo e equilibra os preços. Caso contrário, o BC pode reduzir juros para estimular a economia.

Em suas últimas comunicações oficiais, o BC reiterou que a inflação era temporária. Entretanto, na decisão passada, em fevereiro, o Copom já admitiu que se prolongou além do esperado e abandonou o compromisso de não subir juros, chamado de “forward guidance”.

Atualmente, o país convive com o agravamento da pandemia –com aumento no número de casos e mortes pela doença e novas medidas de isolamento— que deve impactar a atividade econômica. Ao mesmo tempo, o brasileiro vê seu poder de compra ser corroído pela inflação.

Segundo o relatório Focus desta semana, no qual o BC divulga as projeções do mercado, os economistas subiram mais as expectativas de inflação para 2021, que ficaram em 4,60%. A previsão está acima do centro da meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 3,75%, com tolerância 1,5 ponto percentual. Há um mês, a estimativa era de 3,62%.

De acordo com o levantamento, o mercado espera que a Selic termine o ano a 4,50%, com nova alta de 0,5 ponto em maio (a 3,0%).

Em fevereiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o índice de inflação oficial, ficou em 5,20% no acumulado dos 12 meses, perto do teto da meta, pressionado principalmente por alimentos e combustíveis.