Corão incendiado na Suécia gera protestos no Afeganistão e Paquistão

Centenas de pessoas protestaram nesta terça-feira (24) no Afeganistão e Paquistão para expressar indignação por um Corão incendiado durante este fim de semana na Suécia por um ativista de extrema direita.

Rasmus Paludan, extremista sueco anti-imigração, queimou uma cópia do livro sagrado do Islã em frente à embaixada turca em Estocolmo neste sábado, durante uma manifestação autorizada pela polícia.

O incidente alimentou o descontentamento na Turquia, em um momento em que a Suécia precisa do apoio de Ancara para a adesão do país à Otan.

Na cidade de Lahore, no Paquistão, centenas de pessoas gritaram "que vergonha, Suécia", atendendo ao chamado dos partidos políticos locais.

No domingo (22), o primeiro-ministro do Paquistão tuitou que a proteção da "liberdade de expressão não pode ser usada para ferir a sensibilidade religiosa de 1,5 bilhão de muçulmanos no mundo todo".

"Isso é inaceitável", acrescenta ele.

No Afeganistão, centenas de homens protestaram nesta terça-feira na cidade de Khost, perto da fronteira com o Paquistão, com gritos de "morte ao governo sueco, morte para esses políticos".

Fotos nas redes sociais mostram os manifestantes na praça principal de Khost, alguns deles com a bandeira do Talibã, enquanto agentes de segurança montavam guarda nas proximidades.

"O povo de Khost condena a queima do Corão na Suécia e pede aos países muçulmanos que suas vozes contra este político perverso e imundo sejam escutadas", disse à AFP Qadeer Lakanwal, um dos organizadores da manifestação.

O Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão pediu no domingo ao governo sueco para punir o autor do incidente e pôr fim a "esses atos antimuçulmanos e anti-islâmicos, cruéis e provocativos".

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, também usou o Twitter para condenar o caso: "A liberdade de expressão é uma parte fundamental da democracia. Entretanto, só porque algo é legal não o torna adequado. Queimar livros que são sagrados para muitas pessoas é um ato muito desrespeitoso".

"Quero expressar minha empatia para todos os muçulmanos que foram ofendidos pelo que aconteceu com Estocolmo", disse o chefe do Executivo.

No entanto, as repercussões para a Suécia continuam e a Turquia cancelou a visita do ministro da Defesa e convocou o embaixador.

A Turquia disse ter convocado o embaixador da Holanda nesta terça-feira, devido a um acontecimento semelhante em Haia no domingo, no qual um ativista anti-islâmico profanou um Corão.

bur-ecl/jts/mca/an/mb/ms/aa