Corbyn pede "união" no Partido Trabalhista em meio a acusações de complô

Londres, 20 mar (EFE).- O líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, pediu nesta segunda-feira "união" dentro da legenda em comunicado conjunto com seu "número dois", Tom Watson, que horas antes o acusou de ser conivente a um "plano secreto" de uma facção esquerdista para assumir o controle do partido.

Após uma reunião do gabinete trabalhista em Londres, Corbyn e Watson expressaram "a necessidade de fortalecer a unidade do partido", e admitiram "o direito de grupos de todo o amplo espectro do partido a tentar ganhar influência, desde que cumpram as normas".

De manhã, Watson tinha alertado sobre um suposto plano para que o majoritário sindicato Unite, uma das principais fontes de financiamento do partido, passe a estar filiado ao grupo Momentum, que alçou Corbyn à liderança.

"Nunca vimos o maior sindicato (do Reino Unido) organizando uma facção política dentro do Partido Trabalhista com a aprovação tácita da direção", disse Watson à "BBC Radio 4".

"Isto tem que acabar. Temo que há algumas pessoas que não levam em conta nossas necessidades eleitorais", disse o "número dois" Partido Trabalhista, que alertou sobre o risco de esses movimentos "destruírem" o partido.

Watson disse ter uma "grande preocupação" quanto ao suposto acordo entre Momentum e Unite, revelado pelo jornal "The Guardian", "para financiar uma facção política que aparentemente está planejando assumir o controle do Partido Trabalhista".

Em 2014, os sindicatos entregaram cerca de 11 milhões de libras ao Partido Trabalhista, o que equivale a 58% das doações recebidas pela formação nesse ano, no qual os principais mecenas foram Unite, Unison e Usdaw, segundo dados obtidos pela rede "BBC".

Uma pesquisa da instituto ICM divulgada nesta segunda-feira aponta que o Partido Conservador ganharia as eleições gerais com 45% dos votos, contra 26% do Partido Trabalhista.

O Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP) teria 10% dos sufrágios, os Liberais Democratas 9% e o Partido Verde 4%. EFE