STJ afrouxa corda sobre Flávio Bolsonaro e Poderes ensaiam trégua

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Brazil's President Jair Bolsonaro looks on during the launching ceremony of the program
Foto: Adriano Machado/Reuters

Em um mesmo dia:

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha suspendeu a investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o PM aposentado e ex-faz-tudo-da-família presidencial Fabrício de Queiroz e outros 15 acusados de embolsar salário de funcionários públicos no caso das rachadinhas.

Noronha era (ou é) um dos cotados para a vaga de Marco Aurélio Mello para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A vaga está travada desde que Jair Bolsonaro, pai do senador beneficiado pela decisão de Noronha, ampliou o tom das ameaças contra integrantes do Supremo e jogou no colo do Senado um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, ministro que mandou prender e/ou investigar aliados do ex-capitão acusados de usaram as redes sociais para estimular protestos antidemocráticos.

O pedido foi rejeitado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Ao comentar o caso, o chefe do Congresso fez um apelo para que a garantia da independência dos Poderes seja respeitada e que haja entre eles a convivência “mais harmoniosa possível”

Pouco antes, Bolsonaro havia desistido de pedir o impeachment do também ministro do STF Luís Roberto Barroso, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, corte que havia determinado a suspensão de repasses de dinheiro das redes sociais para canais bolsonaristas investigados por propagar notícias falsas sobre as eleições.

Em cerimônia comemorativa ao Dia do Soldado, no Quartel General do Exército, Bolsonaro abriu mão de discursar, mas ouviu o chefe da Força, general Paulo Sérgio de Oliveira, reafirmar “o compromisso com os valores mais nobres da pátria e com a sociedade brasileira em seus anseios de tranquilidade, estabilidade e desenvolvimento”.

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Para bom entendedor, meia referência a “tranquilidade” e “estabilidade” basta. É exatamente o que parece fora do radar quando o presidente fala em “ruptura” e vai ao ataque contra membros de outros Poderes sob o argumento de que estão “esticando as cordas”.

Pois a corda que mais preocupa o presidente acaba de ser afrouxada por um ministro do STJ. Que pode pintar no STF diante da resistência ao indicado oficial, André Mendonça.

Lá, outro ministro da Corte Suprema, Dias Toffoli, mandou saudações em forma de coração ao Planalto ao suspender a quebra de sigilo fiscal de Frederick Wassef, advogado da família presidencial que em sua casa em Atibaia (SP) deu abrigo a Fabrício de Queiroz, o beneficiado da ordem do STJ dos parágrafos anteriores. Wassef era investigado por suposta relação com uma empresa atravessadora das compras de vacinas.

Quem já havia jogado a toalha sobre uma virtual distensão das relações entre Bolsonaro e STF — ou da crise com os governadores e parlamentares, sobretudo os que estão à frente da CPI da Pandemia e ouvem depoentes se enforcarem em público para justificar as operações de empresas no caminho das compras governamentais — começou a ver de lado a lado sinais de que as eleições de 2022 talvez, mas só talvez, não sejam uma reprodução idêntica do filme “Cães de Aluguel”, de Quentin Tarantino, em que todo mundo aponta a arma contra todo mundo e ninguém vai a lugar nenhum.

Falta combinar com o capitão, que viu a corda de um lado afrouxar e, mal esperou a rejeição de Pacheco a seu pedido de impeachment contra Moraes para escrever nas redes que é possível ganhar a “guerra” e extirpar o “câncer”.

Cessar-fogo? A conferir.

Por enquanto, como cantou Roberto Carlos, tudo parece certo como dois e dois são cinco.

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