Coreia do Norte e Coreia do Sul restabelecem canais de comunicação

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Os governantes da Coreia do Norte, Kim Jong Un (E), e do Sul, Moon Jae-in, em uma foto de setembro de 2018 (AFP/-)

Coreia do Norte e Coreia do Sul restabeleceram nesta segunda-feira (4) a linha de de comunicação transfronteiriça, que estava interrompida desde agosto por decisão de Pyongyang, informou Seul.

O ministério sul-coreano da Unificação afirmou em um comunicado que oficiais das duas Coreias conversaram por telefone durante a manhã.

"Com a restauração da linha de comunicação Sul-Norte, o governo (de Seul) avalia que uma base foi estabelecida para a recuperação das relações intercoreana", acrescentou a pasta.

"O governo espera (...) retomar rapidamente o diálogo e iniciar discussões práticas para recuperar as relações intercoreanas", destaca a nota.

Horas antes, o líder norte-coreano Kim Jong Un "expressou a intenção de restaurar as linhas de comunicação Norte-Sul", informou agência estatal KCNA.

A restauração ocorre poucos dias depois de Pyongyang despertar preocupação internacional com uma série de testes de mísseis no período de algumas semanas, o que levou o Conselho de Segurança da ONU a realizar uma reunião de emergência.

As duas Coreias sinalizaram um surpreendente degelo nas relações no final de julho quando anunciaram a restauração das comunicações transfronteiriças, que haviam sido interrompidas mais de um ano antes.

Mas a trégua durou pouco, pois a Coreia do Norte parou de atender as ligações do Sul apenas duas semanas depois.

O analista Park Won-gon, professor de Estudos Norte-Coreanos na Ewha Womans University, minimizou a importância da restauração da linha de comunicação, que representa apenas um gesto "simbólico".

"Mesmo se isto levar a negociações, poderíamos entrar em uma fase na qual a Coreia do Norte participa do diálogo, mas continua fazendo provocações de forma simultânea", disse Park Won-gon.

- EUA apoia diálogo -

Os Estados Unidos disseram que "apoiam" o "diálogo e engajamento intercoreano e o compromisso, e também a cooperação", informou o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, a repórteres.

O porta-voz também reiterou que o governo do presidente americano, Joe Biden, está disposto a conversar com a Coreia do Norte sobre o fim de seu programa nuclear, dias depois do líder norte-coreano classificar a oferta de diálogo de "um truque mesquinho".

"Continuamos preparados, como dissemos, para nos reunirmos com autoridades da RPDC sem pré-condições", disse Price, usando o nome oficial da Coreia do Norte, República Popular Democrática da Coreia.

Pyongyang cortou de maneira unilateral as comunicações oficiais militares e políticas em junho de 2020, depois que ativistas enviaram panfletos contra o Norte a partir do outro lado da fronteira.

As duas partes afirmaram em 27 de julho que todas as linhas haviam sido restauradas.

O anúncio conjunto, que coincidiu com o aniversário do fim da Guerra da Coreia, foi o primeiro fato positivo desde 2018 quando uma série de reuniões entre Kim e o presidente do Sul, Moon Jae-in, terminaram sem qualquer avanço significativo.

Mas a aproximação foi interrompida duas semanas depois, quando o Norte parou de atender as ligações em agosto, em resposta a exercícios militares do Sul com os Estados Unidos.

Desde então, o Norte executou uma série de testes de mísseis, o que provocou grande preocupação na comunidade internacional.

Em setembro, o país lançou um míssil de cruzeiro de longo alcance e também o que anunciou como um míssil hipersônico, que o Sul afirmou que está na fase inicial de desenvolvimento.

Na sexta-feira passada, Pyongyang anunciou o lançamento de um novo míssil antiaéreo.

A Coreia do Norte criticou no domingo a reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para abordar seus testes e acusou os países membros de brincar com uma "bomba-relógio".

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