Coreia do Norte eleva tensão em resposta às sanções da ONU

Atahualpa Amerise.

Seul, 8 mar (EFE).- A tensão na península coreana atingiu nesta sexta-feira níveis extremamente altos após a Coreia do Norte responder às últimas sanções da ONU com o anúncio de que romperá o cessar-fogo assinado há seis décadas com o Sul em uma renovada ameaça de ataque nuclear.

A Coreia do Norte "anulará na segunda-feira todos os acordos de não agressão feitos entre o Norte e o Sul" após a Guerra da Coreia (1950-1953), disse o regime de Kim Jong-un em um comunicado que eleva mais um pouco o discurso desta semana.

A agressiva campanha, que incluiu ameaças como cortar a linha de comunicação com o Sul e realizar ataques militares "sem piedade", alcançou seu ponto máximo hoje, um dia depois da ONU ampliar suas sanções contra Pyongyang.

Com aprovação unânime dos quinze membros do Conselho de Segurança e impulsionada pelos Estados Unidos e a China, a resolução endurece as sanções que já pesavam sobre as autoridades da Coreia do Norte por seu programa nuclear e estabelece novas restrições, especialmente de caráter financeiro.

A resposta norte-coreana de abandonar o armistício de 1953, anúncio que causou preocupação em Seul ao não existir precedentes como este nas últimas seis décadas de rivalidade, deixa em dúvida se o militarizado país comunista pode chegar a tomar medidas reais nas próximas semanas.

Fontes do Exército da Coreia do Sul advertiram sobre a possibilidade de uma agressão norte-coreana ao longo dos 248 quilômetros da Zona Desmilitarizada que divide os dois países ou na fronteira marítima, onde Pyongyang já matou quatro sul-coreanos no bombardeio contra Yeonpyeong, em 2010.

A imprensa norte-coreana mostrou hoje o jovem líder Kim Jong-un enquanto inspecionava na quinta-feira as unidades militares responsáveis pelo ataque de artilharia à ilha sul-coreana e pedia que seus soldados ficassem prontos para a batalha.

Uma porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano disse à Agência Efe que a Coreia do Norte "legalmente não pode revogar o armistício, já que o acordo requer a conformidade de ambas as partes para sua anulação".

A funcionária confirmou no entanto que o ministério encarregado das relações com o Norte "permanece em alerta máximo" em relação ao país vizinho, embora não se saiba suas reais intenções.

Quanto aos motivos da elevada agressividade mostrada nestes dias por Pyongyang, a porta-voz e outros especialistas acreditam que poderia se tratar de uma estratégia para reforçar a coesão interna e conseguir um maior impacto no exterior como resposta às sanções da ONU.

Além de anunciar a iminente ruptura do cessar-fogo, a Coreia do Norte assegurou hoje que possui mísseis de longo alcance com ogivas nucleares capazes de transformar em "um mar de fogo" Washington e outros centros nevrálgicos dos Estados Unidos e seus aliados.

Apesar da aparente gravidade da ameaça, analistas internacionais acham que o regime não tem tecnologia necessária para instalar ogivas nucleares em seus mísseis de meio e longo alcance.

O Ministério da Defesa de Seul assegurou hoje que "se a Coreia do Norte atacar o Sul com uma arma nuclear o regime de Kim Jong-un desaparecerá da terra" pela contundente resposta internacional.

Neste panorama, o poderoso Exército Popular da Coreia do Norte intensificou suas manobras na frente ocidental, com Seul e arredores sob a mira, e a próxima semana suas forças de terra, mar e ar poderiam realizar um exercício militar de grande escala, segundo fontes militares sul-coreanas.

Já a Coreia do Sul e os EUA estão realizando desde 1º de março até 30 de abril manobras militares conjuntas, que foram bastante condenadas por Pyongyang.

Os EUA mantêm 28.500 soldados na Coreia do Sul e defende seu aliado desde a Guerra da Coreia, que terminou com um armistício e não com um tratado de paz, o que significa que o conflito nunca terminou completamente. EFE

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