Coreia do Norte exibe poderio militar e comemora estar livre da covid

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A Coreia do Norte revelou, neste sábado (10), um míssil balístico intercontinental gigante durante uma enorme parada militar, uma demonstração de força do regime em um país que fechou suas fronteiras há oito meses e onde, segundo seu líder Kim Jong Un, não há um único caso de coronavírus.

O míssil balístico intercontinental (ICBM), colocado sobre um veículo lançador de 11 eixos, desfilou na Praça Kim Il Sung - que leva o nome do fundador do regime - de acordo com o canal de televisão estatal KCTV.

É o "maior míssil móvel de combustão líquida já visto até hoje", tuitou Akit Panda, da Federação de Cientistas Americanos, uma ONG que analisa os riscos associados à energia nuclear.

O ato fez parte das comemorações do 75º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores no poder.

O hermético regime comunista festejou o acontecimento depois de fechar suas fronteiras há oito meses para se proteger do coronavírus, do qual não notificou nenhum caso.

Em discurso ao público, Kim Jong Un comemorou que "nem uma única pessoa" tenha contraído o coronavírus no país e afirmou que deseja "boa saúde a todas as pessoas do mundo que estão lutando contra os males deste terrível vírus". 

A emissora pública KCTV transmitiu imagens de esquadrões de soldados armados e veículos blindados, alinhados nas ruas de Pyongyang, prontos para desfilar pela Praça Kim Il Sung, em imagens noturnas.

Nem os participantes nem o público presente usavam máscara, mas havia muito menos cidadãos do que normalmente na praça. 

A transmissão começou com a imagem de um cartaz de propaganda, apresentando três norte-coreanos com os símbolos da foice, martelo e pincel e o slogan "A maior vitória do nosso grande partido". 

Em geral, os desfiles norte-coreanos são encerrados com um míssil que o governo quer destacar em seu arsenal, e os observadores tendem a prestar especial atenção a isso, em busca de qualquer pista sobre o desenvolvimento de armas do Norte.

"Continuaremos a fortalecer nosso Exército, para fins de autodefesa e dissuasão", declarou o líder norte-coreano em seu discurso.

De acordo com um comunicado dos chefes de Estado-Maior sul-coreanos, o desfile teria ocorrido no início desta manhã, quando "sinais de uma parada militar com pessoas e equipamentos foram detectados" na Praça Kim Il Sung em Pyongyang.

As agências de inteligência sul-coreana e americana "acompanharam de perto o evento", acrescentaram.

- "Grande passo" -  

Acredita-se que a Coreia do Norte continue desenvolvendo seu arsenal, supostamente para se proteger dos Estados Unidos, após o fracasso da cúpula de Hanói com o presidente americano Donald Trump em fevereiro do ano passado.

Analistas apostam que o país está desenvolvendo um novo míssil balístico submarino (SLBM) ou míssil balístico intercontinental (ICBM) capaz de atingir os Estados Unidos e escapar dos sistemas de defesa americanos.

A comemoração do aniversário do Partido dos Trabalhadores significa que a Coreia do Norte "tem uma necessidade política e estratégica de exibir algo grande", interpretou Sung-yoon Lee, um professor coreano da Universidade Tufts, nos Estados Unidos. 

A demonstração de armas mais avançadas "marcará um grande passo à frente na capacidade real de ameaça de Pyongyang", assegurou. 

Ao contrário de outras ocasiões, a imprensa estrangeira não foi autorizada a assistir ao desfile e, como muitas embaixadas estão fechadas por causa do coronavírus, quase não havia observadores estrangeiros na cidade.

A embaixada russa em Pyongyang postou uma mensagem em sua página do Facebook pedindo aos diplomatas e outros representantes internacionais que não "se aproximem ou tirem fotos" das comemorações.

No final de dezembro, Kim ameaçou revelar uma "nova arma estratégica", mas analistas acreditam que Pyongyang tentará não arriscar suas chances com Washington antes da próxima eleição presidencial americana em novembro. 

Ostentar suas armas estratégicas em um desfile militar "seria consistente com a promessa de Kim Jong Un", embora, por outro lado, não seja do interesse de "provocar os Estados Unidos testando uma arma estratégica", apontou Rachel Lee, ex-conselheira do governo americano sobre a Coreia do Norte.

Por sua vez, Harry Kazianis, do Centro de Interesses Nacionais, alertou para o risco de que a presença de milhares de pessoas se torne um "grande propagador" do coronavírus, se não forem tomadas "precauções extremas".

O precário sistema de saúde neste país empobrecido teria dificuldade em lidar com um surto massivo, embora acredite que as medidas de prevenção pareçam improváveis. 

"Obviamente, máscaras e mísseis não se misturam."

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