Conselho de Segurança da ONU lamenta lançamento de foguete da Coreia do Norte

Gráfico sobre o lançamento frustrado de um foguete da Coreia do Norte (AFP)

Os 15 países do Conselho de Segurança da ONU "lamentaram" nesta sexta-feira o lançamento frustrado de um foguete por parte da Coreia do Norte, denunciando que "violou resoluções" do órgão máximo das Nações Unidas.

Em uma reunião de urgência convocada em Nova York, os membros do Conselho de Segurança da ONU "concordaram em manter as consultas sobre uma resposta apropriada", disse à imprensa a embaixadora americana na ONU, Susan Rice.

"Os membros do Conselho de Segurança lamentam este lançamento, que viola resoluções deste Conselho", disse Rice que não esclareceu qual poderia ser essa resposta da ONU.

A Coreia do Norte lançou nesta sexta-feira um foguete que se desintegrou durante o voo e caiu no mar, um fracasso embaraçoso para Pyongyang, ansiosa em mostrar sua tecnologia à comunidade internacional.

Apesar do fracasso, as potências ocidentais condenaram imediatamente a ação do regime de Pyongyang e convocaram esta reunião do órgão máximo das Nações Unidas.

"Isso requer uma reação imediata e inequívoca do Conselho de Segurança. É uma provocação que evidentemente condenamos", disse o embaixador alemão na ONU, Peter Wittig, antes de começar o encontro.

Enquanto os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão denunciaram de imediato a tentativa, Rússia, China e Índia foram mais comedidos e se limitaram a pedir moderação a todas as partes.

Rússia e China têm direito de veto no Conselho de Segurança da ONU em seu caráter de membros permanentes (assim como os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha).

O satélite foi enviado com o míssil balístico de longo alcance Taepodong-2, que a Coreia do Norte está tentando desenvolver e que já testou em julho de 2006 e abril de 2009.

"A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) lançou seu satélite Kwangmyongsong-3 (..) às 07h38m55s desta sexta-feira. O satélite de observação terrestre não pode entrar em órbita", reconheceu a agência de imprensa oficial norte-coreana KCNA.

Trata-se da terceira tentativa de colocação em órbita de um satélite pela Coreia do Norte, depois de dois fracassos, em 1998 e 2009.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou em uma declaração por escrito que o "lançamento é uma violação direta" de uma resolução da ONU.

Um alto funcionário da ONU disse temer que "o pior esteja por vir", referindo-se aos rumores de preparativos de um novo teste nuclear.

O Ministério da Defesa sul-coreano alertou claramente para o perigo de "novos atos de provocação por parte do Norte, como poderiam ser testes de mísseis e um teste nuclear", e enfatizou que o Exército sul-coreano já se encontrava "em vigilância aumentada".

A Coreia do Norte realizou dois testes nucleares em outubro de 2006 e em maio de 2009, meses depois de testes de mísseis.

Os especialistas alertam também para o perigo do teste nuclear para contrabalançar a "humilhação" do fracasso do lançamento.

"Antes do lançamento, era provável que a Coreia do Norte realizasse um terceiro teste nuclear; agora é quase certo", escreveu em seu blog o pesquisador Marcus Noland, do Peterson Institute for Internacional Economics, com sede em Washington.

"A probabilidade (...) é maior hoje do que ontem", declarou à AFP Rory Medcalf, do centro de estudos australiano Lowy Institute.

As autoridades norte-coreanas esperavam que a colocação em órbita do satélite coincidisse com as comemorações do centenário do nascimento do fundador da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Kim Il-sung, dia 15 de abril.

O número um norte-coreano, Kim Jong-Un, foi aclamado nesta sexta-feira por milhares de pessoas reunidas em Pyongyang para a inauguração das estátuas de seu pai e seu avô.

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