Coreia do Norte teria recebido imunizantes contra Covid-19, diz aliança mundial para vacinação

A aliança Gavi, que integra o consórcio Covax, responsável por coordenar a distribuição global de vacinas contra a Covid-19, afirmou nesta sexta-feira "entender" que a Coreia do Norte aceitou uma oferta da China para receber imunizantes. Até agora, o país vinha recusando as vacinas, e nas últimas semanas vem enfrentando sua primeira onda de casos desde o início da pandemia.

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Em comunicado distribuído a veículos de imprensa, a Gavi declara que as doses possivelmente já começaram a ser administradas, mas sem detalhar quantas doses foram enviadas ou quais grupos seriam os primeiros a receber a vacina.

"O Covax alocou doses para a Coreia do Norte em diversas ocasiões, e sempre esteve pronta para apoiar Pyongyang se essa assistência fosse requisitada, mas não recebemos pedidos formais para o apoio às vacinas da Covid-19", diz o comunicado. Não há menção às vacinas na imprensa oficial norte-coreana ou comentários por parte do governo chinês.

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Segundo o site NK News, alguns aviões da Coreia do Norte foram até a China, no mês passado, para transportar insumos destinados ao tratamento dos casos de Covid-19 no país, no período mas grave da onda de casos — contudo, não há informações se eles levaram vacinas.

Desde o início da pandemia, a Coreia do Norte adotou uma estratégia de isolamento para evitar a entrada do vírus no país. O plano impediu, ao menos oficialmente, a disseminação da doença, mas a ausência de contato com o exterior ampliou os efeitos de uma crise provocada por fatores climáticos e, como reconheceu o próprio Kim Jong-un, problemas na execução de políticas públicas.

Há três semanas, Pyongyang confirmou os primeiros casos de uma "febre", sem mencionar o nome Covid-19: desde então, foram registrados, segundo números oficiais, 3.969.690 casos, com 71 mortes, mas especialistas e autoridades questionam os dados e o discurso do governo de que "está tudo sob controle". Afinal, ninguém no país foi vacinado, e o sistema de saúde local não teria os recursos necessários para enfrentar uma onda de infecções e hospitalizações.

— Nós acreditamos que a situação está ficando pior, não melhor — afirmou, na quarta-feira, o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), em entrevista coletiva. — Temos problemas reais em obter acesso a informações sobre a situação real por lá.

Recentemente, os EUA e a Coreia do Sul ofereceram insumos médicos e vacinas para Pyongyang, mas não houve resposta.

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