Coreia do Sul estuda suprimir zona de contenção após incursão de drones do Norte

O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, declarou nesta quarta-feira (4) que estuda a possibilidade de suspender um acordo de 2018 que criou uma zona marítima de contenção com o Norte, caso Pyongyang volte a "violar" o território do Sul.

Yoon instruiu seus assessores de segurança "a considerar a suspensão do acordo militar se o Norte realizar outra provocação em nosso território", declarou a jornalistas a porta-voz da presidência, Kim Eun-hye.

Em várias ocasiões em 2022, a Coreia do Norte fez disparos de artilharia contra locais incluídos no acordo como parte da zona marítima de contenção. E na semana passada, enviou cinco drones que entraram no espaço aéreo sul-coreano.

Tais violações provocaram apelos de legisladores para que o governo de Yoon encerrasse o acordo de zona de contenção, que foi assinado pelo presidente anterior, Moon Jae-in.

O acordo, alcançado durante uma cúpula em Pyongyang realizada em meio a um intenso intercâmbio diplomático, tinha como objetivo reduzir as tensões militares na fronteira criando "zonas tampões".

Na época, as duas partes concordaram em "cessar os vários exercícios militares ao longo da linha de demarcação", mas Pyongyang começou a violar o acordo no passado, com uma série de testes de armas e disparos.

Nesta quarta-feira, Yoon defendeu uma "produção em larga escala de drones pequenos e difíceis de detectar até o final do ano", além da criação de uma unidade de drones polivalentes com "capacidade de contra-ofensiva esmagadora".

A incursão de drones norte-coreanos levou o Ministério da Defesa de Seul a se desculpar, uma vez que suas Forças Armadas não conseguiram abater nenhum dos aparelhos.

Eliminar o acordo de 2018 "aumentaria a possibilidade de maiores tensões militares e um confronto nas áreas de fronteira", comentou à AFP Hong Min, do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.

Ele ressaltou que, apesar das violações por parte de Pyongyang, o pacto ajudou a "evitar um grande confronto militar".

"Será muito diferente se Yoon colocar um fim oficial e político ao acordo", acrescentou.

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