Coreia do Sul tenta resolver reivindicações históricas de trabalho forçado com Japão

A Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira (12) que pretende compensar as vítimas do trabalho forçado imposto pelo Japão entre 1910 e 1945, mas sem envolver as empresas japonesas, como parte de uma estratégia para estreitar os laços com Tóquio diante da ameaça norte-coreana.

Coreia do Sul e Japão são dois importantes aliados dos Estados Unidos na região, mas seu relacionamento bilateral foi prejudicado durante décadas por crimes cometidos por Tóquio durante a colonização da Península Coreana entre 1910 e 1945.

Cerca de 780.000 coreanos foram vítimas de trabalhos forçados nesse período, segundo dados de Seul, que não incluem as mulheres transformadas em escravas sexuais pelos militares japoneses.

Em uma aparição pública nesta quinta-feira, Seo Min-jong, funcionário de alto escalão do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, afirmou que a ideia é oferecer compensação às vítimas "por meio de terceiros".

Segundo a imprensa local, a ideia seria criar um fundo alimentado por doações de empresas sul-coreanas, que seriam, por sua vez, beneficiárias de um pacote de reparações pago pelo Japão.

Esse mecanismo evitaria exigir o dinheiro das empresas japonesas que se beneficiaram dessa mão de obra.

O projeto não caiu bem com as vítimas do trabalho forçado, que querem que as empresas japonesas envolvidas paguem diretamente e apresentem suas desculpas.

"Diga-nos por que o governo está com pressa para apresentar uma proposta, à qual as vítimas se opõem", afirmou um de seus advogados, Lim Jae-sung.

O Japão argumenta que as reivindicações do período colonial foram cobertas por um tratado assinado em 1965, que incluiu um pacote de US$ 800 milhões em doações e empréstimos baratos e permitiu que os dois países restabelecessem as relações diplomáticas.

O projeto de compensação surge em um momento em que o governo sul-coreano de Yoon Suk-yeol tenta melhorar as relações com Tóquio, citando a ameaça comum representada pela Coreia do Norte. Nos últimos meses, Pyongyang fez testes com um grande número de projéteis.

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