Coreias do Sul e do Norte disparam mísseis contra litoral de cada um pela 1ª vez em escalada de tensão

Pessoas assistem a uma reportagem na TV que mostra a Coreia do Norte disparando mísseis balísticos no mar, em Seul, na Coreia do Sul, em 2 de novembro de 2022
Pessoas assistem a uma reportagem na TV que mostra a Coreia do Norte disparando mísseis balísticos no mar, em Seul, na Coreia do Sul, em 2 de novembro de 2022

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul dispararam mísseis que caíram pela primeira vez no mar ao largo da costa de cada país.

Seul retaliou nesta quarta-feira (02/11), três horas depois de Pyongyang ter lançado um míssil que caiu a menos de 60 km da cidade de Sokcho, na costa sul-coreana.

Os militares sul-coreanos disseram que esta era uma violação "inaceitável" de seu território.

E dispararam três mísseis ar-terra em resposta, que as autoridades afirmam terem caído a uma distância semelhante além da Linha de Limite Norte (NLL, na sigla em inglês).

Essa linha de demarcação marca o ponto intermediário no mar entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, mas o Norte nunca aceitou a fronteira marítima.

Na terça-feira, a Coreia do Norte alertou que a Coreia do Sul e os EUA pagariam "o preço mais horrível da história" se continuassem os exercícios militares conjuntos, vistos como uma ameaça velada ao desenvolvimento de armas nucleares ao Norte.

mapa
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A expectativa é de que o Norte retome os testes de armas nucleares em breve, após uma pausa de cinco anos, com a inteligência dos EUA e da Coreia do Sul dizendo que Pyongyang completou todos os preparativos necessários.

Os lançamentos de mísseis no estilo olho por olho, dente por dente, ocorreram durante um período de luto nacional na Coreia do Sul, após o tumulto que matou mais de 150 pessoas durante uma celebração de Halloween nas ruas de Seul no fim de semana.

A Coreia do Norte disparou pelo menos 10 mísseis nas direções leste e oeste na quarta-feira, segundo as autoridades sul-coreanas.

Pelo menos um dos mísseis norte-coreanos — lançados antes das 9h (00:00 GMT) de quarta-feira — caiu a cerca de 26 km ao sul da fronteira, 57 km a leste de Sokcho e 167 km a noroeste da ilha de Ulleung.

E acionou sirenes de ataque aéreo em Ulleung, onde os moradores foram instruídos a se dirigir para abrigos subterrâneos.

O lançamento foi detectado imediatamente pelas autoridades sul-coreanas e japonesas, que imediatamente condenaram a escalada de Pyongyang.

O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, classificou o lançamento como uma "invasão territorial efetiva", embora o míssil tenha caído fora das águas territoriais sul-coreanas, e prometeu uma "resposta rápida e firme".

Pelas leis internacionais, os países podem reivindicar como território uma faixa de até 12 milhas náuticas (pouco mais de 22 km) da sua costa.

De acordo com o direito internacional, os países só podem estabelecer reivindicações territoriais a 12 milhas náuticas do mar que beira sua costa. Yoon fez disso sua política para tomar uma atitude firme em relação à Coreia do Norte.

Cerca de três horas depois, o Sul disparou de aviões de guerra três mísseis ar-terra de precisão no mar ao largo da costa leste da Coreia do Norte.

Os disparos representam uma escalada acentuada nas hostilidades em toda a península neste ano, que já testemunhou mais de 50 lançamentos de mísseis da Coreia do Norte — incluindo um míssil balístico que passou sobre o Japão.

Na segunda-feira, um submarino de propulsão nuclear dos EUA chegou à costa da Coreia do Sul, como parte dos exercícios conjuntos entre os dois países, que começaram em agosto.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63483389

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