Ciro sobre crise do coronavírus: Mandetta é “carrapato apegado ao cargo”

Ciro Gomes diz que Mandetta é "carrapato apegado ao cargo", mas não deve ser trocado (AP Photo/Andre Penner)

No meio de polêmicas nas últimas semanas, por conta de divergências com o presidente Jair Bolsonaro e de uma possível demissão, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi alvo de críticas nesta quinta-feira (9) de Ciro Gomes (PDT), ex-ministro e candidato a presidência da República em 2018. As declarações foram dadas em entrevista ao UOL.

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Ciro classificou como “baboseira” a defesa do ministro neste momento de crise causada pela Covid-19 e chamou Mandetta de “carrapato apegado ao cargo”, que apenas repete as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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“Essa baboseira de a gente sair em defesa da manutenção de um ministro só porque o ministro está repetindo no Brasil, de forma dúbia, vai e volta, num apego de carrapato ao cargo, sem dignidade nenhuma”, declarou.

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Mesmo assim, Ciro afirmou que é a favor da permanência de Mandetta no comando da pasta, para não assumir um “terraplanista”, “maluco”, “idiota”.

“Não está na hora de trocar por um terraplanista, por um maluco, um idiota, um carreirista qualquer que se oferece para dizer o que o Bolsonaro quer que seja dito, a pretexto falso de que isso defenderia a economia”, disse.

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro cogitou a demissão de Mandetta em razão de divergências sobre as medidas no combate e no tratamento do coronavírus. Um dos nomes cotados para assumir a pasta foi do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que vem defendendo o fim do isolamento, a mesma posição de Bolsonaro.

Ciro criticou ainda a falta de testes no Brasil. “Hoje nós não estamos testando. Simplesmente o Brasil é um dos países que menos testa no mundo. Não tem leito de UTI, não tem respiradores, não tem equipamento de segurança para profissionais de saúde, para agentes de segurança”, afirmou.

BOLSONARO

O ex-ministro e ex-governador do Ceará também se mostrou a favor da renúncia de Bolsonaro,. Ciro disse que ninguém pode ser mais "irresponsável" e "despreparado" que o atual presidente. Ao criticar o atual mandatário, o ex-governador também fez referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma das referências de Bolsonaro. 

Para ele, a recomendação de ambos pelo uso da coloroquina pode ser comparada a um "assassinato" e que “isso não é papel de político” 

"O que não pode é um político, seja ele quem for, [ir] contra os protocolos, contra aquilo que é o estabelecido pela ciência. Porque todo remédio tem uma contraindicação. Se você não estabelece as pesquisas, eu acho que é assassinato o que vem sendo feito por políticos”.

Sobre os pronunciamentos de Bolsonaro, disse que são orientados pelos militares do governo, “que dão as ordens para ele”, mas que o presidente aproveita sua participação em programas televisivos populares para manifestar “o que de fato pensa”.

“Peço à população que pare de acreditar em político de estimação, seja ele quem for. Use sua própria inteligência”, pediu, alertando sobre a gravidade da pandemia da Covid-19.

PT

Ciro aproveitou para reforçar suas críticas ao PT, culpando o partido por Bolsonaro estar no Planalto. 

“Grande margem da nossa população aceita essas maluquices do Bolsonaro porque ficou enjoada, indignada, cansada da corrupção generalizada do PT e com a pior crise econômica da história do Brasil produzida também pelo PT, foi por ódio”.

O ex-ministro disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o líder das “falcatruas” que acontecem no país e tem culpa pela situação em que o Brasil se encontra hoje.

Apesar de destacar que a crise econômica não seja culpa do atual governo, Ciro atacou as medidas adotadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Estão aproveitando a crise para fazer uma rodada de canalhice para jogar dinheiro público aos trilhões de reais no sistema financeiro. Vai terminar a crise, a economia vai afundar uns 6%, e os bancos vão registrar lucro neste ano trágico da vida brasileira e mundial”.