Coronavírus: Óbitos em investigação no Rio praticamente triplicam em maio

Tatiana Furtado
Agentes funerários chegam para pegar corpo no contêiner no Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador. Alguns hospitais do Rio estão usando contêineres frigoríficos para ser usado como necrotério

RIO - Do dia 1º de maio até a última atualização do boletim epidemiológico do estado, no dia 13, o número de óbitos no Rio em decorrência do coronavírus aumentou 121%. Mas um outro dado estadual chama atenção pelo rápido crescimento: as mortes em investigação quase triplicaram no mesmo período (191%). No primeiro dia do mês eram 311 (921 confirmados); na quarta-feira, a Secretaria estadual de Saúde confirmou 907 óbitos na fila (2.050 confirmados).

Dois mil óbitos:

Enquanto isso, os óbitos descartados por Covid-19, que são cumulativos, no mesmo período foram apenas 38. Eram 146 no início do mês; na quarta-feira, estava em 184.

Assim como os óbitos confirmados, os sob investigação não representam casos ocorridos nas últimas 24 horas. Em média, eles são solucionados em 72 horas – no início da pandemia no estado, o tempo chegou a ser de uma semana. Ou seja, as mais de 300 mortes que não estavam esclarecidas no dia 1º já foram contabilizadas entre as descartadas ou confirmadas há cerca de dez dias.

A alta dos óbitos em investigação sugere tanto a rápida aceleração das mortes por Covid-19 no estado quanto o estrangulamento do sistema de saúde. Nem todos os casos de falecimento são testados a tempo para confirmar a presença do novo coronavírus.

Sem despedida:

A SES explica que os casos suspeitos têm de ser testados até cinco horas após o óbito. Quando isso não é possível, é feita a análise clínica do paciente para determinar se pode ser considerado um caso de Covid-19.

– Pelo volume de casos que chegam à rede de saúde não dá tempo de fazer todos os registros, testes necessários. Isso acontece muito nos surtos de dengue. Descartam-se os testes e o que vale é a análise clínica de acordo com os sintomas e outros exames – explica o epidemiologista e pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz),  Diego Xavier.

Huck ajuda menina:

A tendência, segudo Xavier, é que essa fila de confirmação só aumente diante da explosão de casos. De acordo com a SES, quando os números eram menores, chegou a ser possível zerar a fila.

– Antes havia tempo de fazer isso, mas quando a doença avança é certeiro haver essas subnotificações crescentes. Chega uma hora que tem de escolher se atende paciente, se testa rapidamente ou faz os registros dos óbitos detalhadamente. Mas como estamos diante de uma pandemia, o grosso dos óbitos suspeitos vai ser de Covid-19 – diz Xavier.

Segundo a secretaria, atualmente, o estado tem feito 1.800 testes por dia que são encaminhados para o Laboratório Central de Saúde Pública do Rio (Lacen-RJ). A prioridade são os casos de óbitos suspeitos, pacientes graves e profissionais da saúde e segurança.