Coronavírus ainda não atingiu o Brasil do SUS

Ana Lucia Azevedo

Já passam de 100 mil os casos de Covid-19 no mundo, mas no Brasil, com nove confirmados, o vírus ainda está na bolha. Todos os infectados são pessoas com acesso a atendimento médico privado, da qualidade do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por exemplo.

Enquanto o vírus estiver na bolha, o país tem as condições de enfrentá-lo e o Ministério da Saúde tem sido muito eficiente em mantê-lo por lá. Mas quando ele romper essa barreira tão frágil e escapar para o Brasil em que 75% da população depende exclusivamente do SUS, encontrará hospitais superlotados com as mazelas de sempre, não importa se infecciosas ou não.

Numa rede de saúde falida como a do município do Rio de Janeiro, onde faltam insumos básicos, o novo coronavírus disputará um lugar na fila com pacientes de câncer, de dengue, de doenças cardíacas e da violência. Quem será prioridade? Um senhor que precisa diálise, uma criança atingida por uma bala perdida ou uma moça febril que respira com dificuldade, potencial suspeita de coronavírus?

Para o cidadão que luta com dificuldade para pagar o ônibus e o trem de cada dia, álcool gel é luxo e banheiro para lavar as mãos com frequência, uma raridade nas muitas horas que perde para ir e vir do trabalho. É essa mesma e maior parcela da população que não tem saneamento básico e fica com água de esgoto até a cintura quando chove.

O maior problema do Brasil para enfrentar o novo vírus são os seus velhos problemas, a precariedade dos serviços de saúde e a falta de saneamento. E esses continuam sem tratamento.